Começa depoimento de Carla Cepollina no Fórum de SP

O primeiro depoimento da advogada Carla Cepollina, de 40 anos, à Justiça de São Paulo, como ré no processo criminal sobre o assassinato do coronel Ubiratan Guimarães, começou por volta das 15 horas desta segunda-feira,5. Ela chegou às 14h35 ao Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste da capital paulista, e entrou pelos fundos. O crime ocorreu em setembro de 2006 no apartamento do coronel, nos Jardins, região nobre da cidade. Carla é acusada de homicídio duplamente qualificado por motivo torpe e sem dar chance de defesa à vítima. Ela nega a autoria do crime. A advogada, que tingiu os cabelos de loiro, veste um tailleur bege e estaria acompanhada de quatro advogados. Ela está sendo ouvida pelo juiz Alberto Anderson Filho e pelo assistente de acusação Vicente Cascione. A investigação do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) - cuja tese foi encampada pelo Ministério Público Estadual - concluiu que Carla é a autora do homicídio por exclusão. Esse raciocínio não é raro em investigações policiais. Muitas vezes é a única forma de se chegar ao culpado. No caso de Ubiratan, não existe prova incontestável da culpa da advogada, como a declaração de testemunha que dissesse ter visto o crime, a gravação em vídeo do momento do tiro ou o resultado de exame atestando vestígios de pólvora na mão dela.O porteiro do prédio do coronel não relatou ter visto outra pessoa subindo ao apartamento dele além da namorada. Por meio da quebra do sigilo telefônico de Ubiratan e de pessoas ligadas a ele, os investigadores dizem que foi possível concluir que Carla ainda estava no apartamento após o crime. O coronel foi encontrado morto com uma toalha enrolada na cintura, o que faz pensar que era próximo do assassino. Não havia porta arrombada, nada foi levado, a arma do crime foi um revólver calibre 38 de Ubiratan.A partir do depoimento, o caso será reexaminado. Testemunhas ouvidas pela polícia prestarão declarações novamente. Outras serão ouvidas. Novos laudos serão feitos, mais provas produzidas. Ao fim dessa fase de apuração, o juiz Alberto Anderson Filho, presidente do 1º Tribunal do Júri da capital, decidirá se Carla irá ou não a júri popular. Cronologia das investigações10 de setembro: O coronel da reserva e deputado estadual Ubiratan Guimarães, de 63 anos, é encontrado morto, em seu apartamento, com um tiro no abdome. 11 de setembro: Perícia no telefone do coronel indica crime passional, e a polícia começa a trabalhar com a hipótese de que Carla Cepollina, namorada de Ubiratan, possa ter feito o disparo que o matou. 16 de setembro: Carla divulga nota em que se diz ?perseguida?.20 de setembro: Exames do IML reforçam tese da polícia de que Ubiratan foi morto entre 19 horas e 20h30 do dia 9. Porteiros do prédio em que ele morava dizem ter visto a saída de Carla naquela noite.21 de setembro: Em depoimento, a empregada de Carla diz que a roupa usada pela advogada no dia do assassinato do coronel tinha manchas vermelhas.23 de setembro: Peritos do Instituto de Criminalística fazem seis disparos no apartamento onde Ubiratan foi morto e comprovam que tiros poderiam ser ouvidos por Vizinhos.26 de setembro: Peritos concluem que Carla Cepollina estava no apartamento de Ubiratan quando ele foi morto.27 de setembro: Carla Cepolina é indiciada por homicídio doloso duplamente qualificado, por motivo fútil (ciúmes) e impossibilidade de defesa da vítima (que estava desarmada e alcoolizada). Ela se diz inocente. 4 de outubro: O Instituto de Criminalística comprova que o Ubiratan foi assassinado com a própria arma, um revólver 38, que desapareceu de seu apartamento após o crime.13 de outubro: O delegado Armando de Oliveira da Costa Filho, chefe do DHPP, diz que o inquérito está concluído.19 de outubro: Habeas-corpus é negado a Carla Cepollina.25 de outubro: Tribunal de Justiça de São Paulo nega, pela segunda vez, habeas-corpus preventivo a Cepollina. A decisão, unânime, foi tomada pela 9ª Câmara Criminal.21 de novembro: Carla Cepollina torna-se ré no caso que investiga a morte de Ubiratan Guimarães. O juiz Alberto Anderson Filho, do 1º Tribunal do Júri de São Paulo, acolheu a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) contra a advogada.

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