Começa limpeza do lago da Aclimação

Em fevereiro, ruptura do vertedouro esvaziou local; técnicos vão medir a profundidade e analisar o lodo para definir como será feita recuperação

Mônica Cardoso, O Estadao de S.Paulo

26 de maio de 2009 | 00h00

Começou ontem a primeira etapa da limpeza do lago do Parque da Aclimação, na zona sul da capital. A limpeza será feita pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) em parceria com a Prefeitura, dentro do Programa Córrego Limpo. Em fevereiro, a ruptura do vertedouro (sistema hidráulico que regula o nível da água ) provocou o esvaziamento completo do lago com capacidade de 70 milhões de litros de água em menos de uma hora.Nos próximos dois meses, técnicos vão identificar a profundidade do lago e o conteúdo do lodo. Para medir a profundidade, que varia de 1,5 metro nas bordas e chega a 3 metros no meio, será utilizado um ecobatímetro, cujo funcionamento é semelhante ao de um sonar. O conteúdo do lodo será analisado em um laboratório. Com os dados, os técnicos farão um mapeamento de todos os pontos do lago. A empresa de engenharia e saneamento ambiental San-Bras foi contratada pela Sabesp para executar o serviço ao custo de R$ 23.500. "É preciso conhecer a quantidade e o conteúdo do lodo para sabermos quanto custará a remoção do material. Na sequência, publicaremos o edital de licitação", afirma Valter Vendramim, diretor do Departamento de Parques e Áreas Verdes (Depave), da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente. Segundo ele, o prazo estimado para retirada do lodo é de cerca de oito meses e o lago do parque estará limpo novamente em um ano.As 48 aves aquáticas que habitavam o lago, entre cisnes, patos, gansos e marrecos, devem voltar ao parque somente após a conclusão da limpeza. Os animais foram transferidos para o Parque do Ibirapuera. Hoje, apenas alguns filhotes de peixes que resistiram ao acidente e aves migratórias como garças habitam a área. Paralelamente à limpeza, um edital para licitação de obras na bacia do Córrego Aclimação foi publicado na semana passada. O valor estimado para as obras, que serão coordenadas pela Secretaria de Obras e Infraestrutura Urbana (Siurb), é de R$ 14,2 milhões, para conclusão em 18 meses. Essas obras incluem a construção de vertedouro, a canalização do Córrego Pedra Azul, a execução da galeria de reforço da Rua Armando Ferrentini, a construção do reservatório da Rua Senador Felício dos Santos, o reforço de galeria e a adequação geométrica no desemboque no Rio Tamanduateí. O lago ocupa 30% da área oficial do parque, de 112 mil metros quadrados. Inaugurado há 70 anos, o parque foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat).Após o esvaziamento do lago, foi possível ver todo o lodo e sujeira acumulados no fundo, como garrafas plásticas e pneus. A Prefeitura, no entanto, preferiu encher o lago e depois executar a limpeza. Quase metade da capacidade da área está ocupada hoje por lodo, segundo a Siurb. "A quantidade de sedimentos compromete a altura do lago", diz João Alberto Fávero, engenheiro da Sabesp. BIBLIOTECA VERDENo próximo sábado, a Biblioteca Municipal Raul Bopp, localizada no Parque da Aclimação, ganha uma cara nova. Ela foi escolhida para abrigar um acervo de 500 títulos sobre meio ambiente. Diversas atividades estão programadas para a reinauguração do espaço, entre as quais apresentações de teatro, dança, oficinas e narração de histórias infantis.

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