Paulo Pinto/AE
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Comercial com Gisele Bündchen mostra sexismo atrasado, diz ministra

SÃO PAULO - A ministra da Secretaria Nacional de Políticas para Mulheres, Iriny Lopes, disse que a propaganda de lingerie estrelada pela modelo Gisele Bündchen estereotipa a mulher como um indivíduo que, para ter uma condição igualitária, ou não ser repreendida, precisa se valer do corpo. "A mulher tem boca para falar", afirmou Iriny hoje, em entrevista à TV Estadão. "A propaganda caracteriza como correto a mulher dar uma notícia ruim apenas de lingerie e errado estar vestida normalmente. Essa definição de certo e errado caracteriza um sexismo atrasado e superado."

Wladimir DAndrade, Agência Estado

07 de outubro de 2011 | 15h13

A propaganda mostra a modelo simulando duas maneiras de dar notícias nada agradáveis ao marido, como o estouro do cartão de crédito e que ela bateu o carro. Na primeira, ela está vestida formalmente; na outra, apenas com roupas íntimas. A secretaria pediu ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) a suspensão da peça publicitária. "A propaganda tem regras definidas pelas próprias agências e, na opinião da secretaria, ela violou uma dessas regras", disse.

Ela negou que a secretaria tenha tentado intervir no enredo da novela "Fina Estampa", da TV Globo, em que a personagem Celeste, interpretada por Dira Paes, é humilhada e agredida pelo marido Baltazar (Alexandre Nero). De acordo com ela, a pasta "sugeriu" ao autor da trama que a personagem procure a Rede de Atendimento à Mulher por meio do telefone 180 e que Baltazar seja não apenas punido, mas também encaminhado a centros de reabilitação previstos pela Lei Maria da Penha.

"É natural que a secretaria possa fazer sugestões sobre um tema delicado, que toca na esfera da segurança pública, assim como é natural o direito do autor aceitar ou não a sugestão", explicou. "A reabilitação é um aspecto da Lei Maria da Penha ainda pouco difundido", justificou.

Sobre o "Metrô Zorra Total", do humorístico Zorra Total, também da Rede Globo, Iriny disse que a pasta não entrou em contato com a emissora apenas mostrou solidariedade ao pedido do Sindicato dos Metroviários de São Paulo para que o quadro fosse retirado do programa.

A ministra reconhece o problema de diferença entre salários e promoções no trabalho entre homens e mulheres no País, apesar de o gênero feminino ter em média, segundo ela, quase dois anos de escolaridade a mais que os empregados masculinos. Disse que a secretaria vem promovendo discussões sobre o assunto, cursos de capacitação para mulheres e empresários e também parcerias com a iniciativa privada, mas aguarda, ainda para este ano, a aprovação no Congresso da Lei de Igualdade.

"A lei vai impor a responsabilidades das empresas quanto à ascensão da mulher no trabalho, creches e outros benefícios", explicou. Ela ainda citou que há atualmente debate sobre uma legislação específica para a situação das empregadas domésticas no País. "Existem 6,6 milhões de mulheres nesta condição no Brasil", afirmou.

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