Comerciante é suspeito de matar universitária por ciúmes

José Roberto Freire teria confessado o crime; segundo o delegado, ele mantinha um relacionamento com o namorado da estudante

Rene Moreira, Especial para O Estado

04 Novembro 2015 | 16h06

Atualizada às 19h50

O comerciante José Roberto Freire, de 35 anos, que teve sua loja de confecções destruída em Extrema, no sul de Minas, teria confessado, na presença de seu advogado, participação na morte da estudante Larissa Gonçalves de Souza, de 21 anos. O corpo da jovem foi encontrado em um buraco na zona rural da cidade.

Segundo o delegado Valdemar Lídio Gomes Pinto, ele mantinha um relacionamento com Lucas Gamero, de 21 anos, namorado da estudante, e tinha ciúmes dele. Um casal do interior de São Paulo, que está sendo procurado, teria sido contratado para matar a universitária por R$ 1 mil. O celular de Larissa foi localizado na casa do suspeito, que também se apresentava como agente de modelos. O namorado de Larissa trabalhava para ele, mas afirma não ter qualquer relação com a morte. A polícia segue, porém, investigando o caso.

Freire, no entanto, afirmou o contrário, garantindo que o rapaz teria conhecimento da ação e até ajudado no planejamento. Em sua versão, o companheiro também estaria preocupado porque a namorada desconfiava sobre sua homossexualidade. Diante disso, teria concordado com o assassinato, arquitetado todo o plano e ainda dado o dinheiro para pagar os autores.

A cidade de Extrema viveu momentos de pavor na noite desta terça-feira, 3. Horas depois que o corpo da estudante foi encontrado em um buraco, populares foram às ruas e incendiaram a loja de confecções de Freire, suspeito de ser o mandante do crime. A Polícia Militar diz que ainda tentou cercar a área, mas não teve como conter cerca de 500 moradores enfurecidos. 

As causas da morte de Larissa serão confirmadas através dos exames mas, segundo a legista que analisou o corpo, a jovem apresentava fraturas e muitos sinais de violência, além de ter o pescoço quebrado. O casal que teria sido contratado para cometer o crime está sendo procurado.

 

Defesa. No fim da tarde desta quarta, 4, após ser ouvido novamente, Gamero ficou preso preventivamente. Ele, que fazia campanha para achar a namorada e postava mensagens de desespero pelo seu sumiço, nega que tenha qualquer participação no assassinato.

 

Gamero divulgou um áudio para dizer que também está perplexo com o desfecho e que trabalhava junto com mandante do crime, mas nunca desconfiou de nada. "Ele estava do meu lado, não demonstrava reação, remorso, nem nada".

 

De acordo com Gamero, quando a polícia invadiu o imóvel para prender o dono, ele também estava lá e até se ofereceu para ajudar a elucidar o caso. Entretanto, depois da repercussão, quando viu a população revoltada, imaginou o pior. "Tirei minhas coisas já temendo que poderiam quebrar a loja. Estou tão assustado quanto vocês e não tenho nada a ver com esta história", finalizou.

Larissa estava sumida há 12 dias, quando foi vista sendo abordada por um casal no momento em que estacionava seu carro na rodoviária da cidade. Desde o desaparecimento, familiares e amigos iniciaram uma campanha na tentativa de encontrá-la. O corpo foi localizado em um ponto turístico na zona rural da cidade, dentro de um saco plástico e com as mãos e pés amarrados com fios elétricos. Como estava em estado de decomposição, os pertences que a jovem usava ajudaram na identificação.

 

Larissa estudava biomedicina em Bragança Paulista (SP), para onde embarcaria, deixando seu carro na rodoviária. A polícia chegou a cogitar a possibilidade de sequestro, mas depois descartou a ideia, já que não houve pedido de resgate.

 

O carro da estudante foi encontrado estacionado próximo a um ponto de ônibus, com as portas destrancadas, vidros fechados e com a chave na ignição. Ela havia dito a familiares que desconfiava que vinha sendo seguida.

O corpo da jovem foi enterrado na madrugada desta quarta-feira, 4.

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