Comerciante expulso da Rocinha pode ter ligação com tráfico

O chefe da Polícia Civil, delegado Álvaro Lins, disse nesta terça-feira que o comerciante Gonçalo Waldemar Evangelista, de 47 anos, que foi obrigado por traficantes do morro a fechar seu comércio e deixar a Favela da Rocinha, na zona sul, é ligado ao grupo criminoso que não controla mais o tráfico no local.Lins disse que Evangelista será chamado para depor na polícia na sexta-feira para que esclareça suas relações com o traficante Eduíno Eustáquio de Oliveira, o Dudu, expulso da Rocinha em abril e atualmente foragido."Há alguns anos, o Gonçalo teve problemas com o Patrick, então chefe do tráfico de entorpecentes no Morro do Vidigal. Por causa disso, foi buscar apoio com o Dudu", disse Lins, lembrando que o comerciante chegou a ter sua prisão decretada em outubro de 2001 por tráfico e associação para o tráfico, mas que foi revogada pela Justiça. Segundo o delegado, a polícia não ficou omissa quando soube que Evangelista fora expulso da favela."É preciso ficar claro que as polícias Civil e Militar deram todo o apoio a esse comerciante", declarou Lins, ressaltando que não vai admitir que a instituição da qual é chefe seja desmoralizada por uma pessoa que já teve a prisão decretada. "Ele não pode invocar a seu favor uma inocência que os seus antecedentes não o habilitam a ter. A posição dele nesse fato não é igual a de qualquer cidadão de bem que more dentro da Rocinha." Evangelista rebateu as declarações de Álvaro Lins, explicando que toda a sua vida foi investigada e que não surgiu nenhuma prova contra ele. Em relação ao fato de ter saído do Vidigal por problemas com um traficante, ele disse que abandonou o comércio de lá após os bandidos cobrarem um pedágio para a venda de botijões de gás.No último fim de semana, Evangelista foi obrigado a fechar seus estabelecimentos na Rocinha e ainda teve 18 imóveis confiscados pelos traficantes.

Agencia Estado,

21 de setembro de 2004 | 18h54

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