Comerciários fazem manifestação contra a violência em SP

Uma manifestação de "Não à Violência" na Câmara Municipal, organizada pelo Sindicato dos Comerciários de São Paulo, na manhã desta terça-feira, 13, contava com a presença dos pais do menino João Hélio Alves, morto no Rio de Janeiro no dia 7 de fevereiro, segundo informações da Rádio Eldorado.Os pais de do garoto Ivo Ota, que morreu assassinado há dez anos em São Paulo, também participavam da manifestação e estavam com um abaixo-assinado, lançado no sábado, 10, pedindo a redução da maioridade penal.Questionada onde encontra forças para participar destas manifestações contra a violência, a mãe de João Hélio disse que ainda acredita no Brasil. Na segunda-feira, 12, Rosa Cristina Fernandes, de 41 anos, participou da missa de sétimo dia da menina Alana Ezequiel, de 12 anos, morta por uma bala perdida em um tiroteio entre policiais militares e traficantes no Morro dos Macacos, zona norte do Rio de Janeiro.Rosa cumprimentou a mãe de Alana, Edna Ezequiel, de 31 anos, que entrou amparada na Igreja da Candelária para a missa de sétimo dia de sua filha. A empregada doméstica se sente pressionada por policiais e traficantes por conta do inquérito que apura a autoria do disparo."Não consigo comer, dormir, sair nem ficar dentro de casa, tudo tem a cara dela", disse Edna, no fim da cerimônia na qual estavam presentes parentes e amigos de outras vítimas da violência na cidade, como os pais do menino João Hélio Fernandes, a mãe da desaparecida Priscila Belfort e Tico Santa Cruz, vocalista da banda Detonautas, cujo guitarrista, Rodrigo Netto, foi morto em uma tentativa de assalto em 2006.O momento mais emocionante foi quando Rosa Cristina, mãe de João Hélio - morto em fevereiro ao ser arrastado 7 quilômetros, preso ao cinto de segurança, por bandidos que roubaram o carro dela - abraçou e acariciou o rosto de Edna.A missa reuniu pouco mais de cem pessoas. Com medo da reação dos traficantes, a Associação de Moradores do Morro dos Macacos recuou e não providenciou ônibus para parentes e amigos comparecerem à cerimônia. A missa, que também homenageou os seis policiais mortos em ação desde sexta-feira, contou com a presença do secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, do comandante da Polícia Militar, Ubiratan Ângelo, e do chefe de Polícia Civil, Gilberto Ribeiro.A cúpula da Segurança Pública fez fila para abraçar a mãe de Alana e ouviu o discurso de Tico Santa Cruz, que pediu medidas preventivas contra a violência. "A paz não é uma palavra mágica, mas o reflexo de medidas tomadas pelo governo e pela sociedade. Enquanto não houver justiça social, não haverá paz."As mães de vítimas entregaram às autoridades o documento Agenda Positiva 2007 - O Rio do Bem, que sugere, entre outras medidas, a revisão do Estatuto da Criança e do Adolescente, mudanças nos institutos para a reabilitação de menores e parceira com a iniciativa privada para cursos de capacitação para que o ensino público seja em tempo integral.

Agencia Estado,

13 de março de 2007 | 12h12

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