Comércio e eleição dão tom à visita de Dilma à Argentina

A presidente Dilma Rousseff desembarcará em Buenos Aires amanhã, às 11 horas, para uma intensa agenda que desenvolverá em poucas horas com sua anfitriã, a presidente Cristina Kirchner, e os ministros argentinos. Embora a visita seja breve, já que Dilma partirá à tarde, após o almoço na sede da chancelaria argentina, o plano de Cristina é receber a colega brasileira com toda pompa. Será o primeiro encontro oficial entre as duas únicas mulheres atualmente presidentes na América do Sul.

Ariel Palacios, O Estado de S.Paulo

30 Janeiro 2011 | 00h00

Caso não ocorram mudanças, Dilma deve estar acompanhada do chanceler Antônio Patriota, dos ministros Nelson Jobim (Defesa), Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia). Também foram convidados Edison Lobão (Minas e Energia), Mario Negromonte (Cidades), além de representantes da secretaria especial de políticas para mulheres, da Caixa Econômica e da Comissão Nacional de Energia Nuclear.

Na reunião na Casa Rosada, a partir das 11h30, as duas presidentes devem assinar acordos sobre mais de uma dúzia de assuntos, entre os quais a intensificação da cooperação na área nuclear (os dois países desenvolvem, de forma conjunta, um reator multipropósito), a construção da hidrelétrica de Garabi, sobre o Rio Uruguai, além da criação de um foro empresarial binacional.

Balança. Ambos os governos também avaliarão a evolução do comércio bilateral, ponto delicado para o governo Kirchner, já que a balança foi amplamente desfavorável para a Argentina em 2010, apesar das vantagens cambiais do peso em relação ao real.

No total, o saldo foi favorável ao Brasil em US$ 4,09 bilhões. Mas o superávit comercial tende a aumentar em 2011 a favor do Brasil. O ex-secretário de Indústria Dante Sica, diretor da consultoria econômica Abeceb, disse ao Estado que o superávit do Brasil com a Argentina poderia chegar a US$ 5,6 bilhões neste ano.

Horas antes do desembarque de Dilma, a União Industrial Argentina (UIA) emitiu um comunicado pedindo mais proteção para a indústria nacional, embora sem citar o Brasil de forma explícita. O empresariado argentino e diversos economistas também expressaram preocupação por uma eventual desvalorização do real, fato que complicaria a competitividade argentina no Brasil e poderia incrementar a importação de produtos brasileiros por parte do mercado argentino.

Eleição. A visita de Dilma também coincide com os primeiros sinais do eventual lançamento de Cristina Kirchner à reeleição. O cenário político argentino mudou radicalmente desde a morte do ex-presidente Néstor Kirchner em outubro passado, pois era o virtual candidato do governo.

Analistas políticos consideram que a visita de Dilma dá respaldo político e minimiza o impacto da notícia de que o presidente dos EUA, Barack Obama, em viagem à América do Sul irá a Brasil e Chile, mas evitará a Argentina.

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