Comércio quer revogar lei seca em Boituva

Comerciantes de Boituva, 120 quilômetros distante de São Paulo, estão se mobilizando para revogar a lei municipal que obriga bares, restaurantes e lanchonetes que vendem bebidas alcoólicas a fecharem às 23 horas. A medida foi baixada há um mês para reduzir os índices de criminalidade. A iniciativa partiu do Conselho Municipal de Segurança, formado por autoridades policiais e líderes comunitários, e foi aprovada pela Câmara Municipal. Segundo a Associação Comercial e Industrial, a chamada lei seca fere o direito do livre comércio. "A pretexto de combater os bandidos, a lei tolhe o direito das pessoas de saírem de casa para se divertir", critica o presidente da associação, Rubens Deodato Rodrigues. Segundo ele, o comércio está pagando pela falta de policiamento e ineficiência da polícia. Os comerciantes também estão recolhendo assinaturas de pessoas que se acham prejudicadas pela medida. Há dez pontos de coleta espalhados pela cidade. O objetivo é conseguir três mil assinaturas até a próxima semana. O documento será enviado à Camara, como projeto de lei de iniciativa popular.Mas segundo a polícia, a lei causou redução no número de ocorrências policiais. "Os casos de agressões provocadas por embriaguez, inclusive envolvendo menores, caíram até 70 por cento", disse o comandante da Polícia Militar, tenente Kléber Vieira Pinto. Também houve redução em outros crimes, como furtos e homicídios, mas os dados só serão contabilizados quando se completarem três meses da vigência da lei. Rodrigues, da Associação Comercial, contesta a alegação do policial. Segundo ele, com o fechamento noturno dos bares, os ladrões passaram a agir durante o dia. Ele citou o caso de um assalto a um supermercado ocorrido no meio da tarde. "Os ladrões correram pela rua dando tiros." Ele alega que, com os bares fechados, os jovens estão indo à noite para cidades vizinhas, como Iperó, Tatuí e Cerquilho. "Eles ficam expostos à mesma violência e há ainda ao risco de acidentes nas estradas."

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