Comércio reclama de insegurança

Conseg diz que aumentou ação de ?olheiros? em agências e síndicos criam sistema de comunicação

Renato Machado e Camila Haddad, O Estadao de S.Paulo

30 Agosto 2008 | 00h00

A tentativa de assalto que resultou na morte do representante de vendas Jean Miguel Kountouriotis, de 45 anos, foi o principal assunto ontem de quem mora ou trabalha na região da Avenida Sumaré, na zona oeste de São Paulo. Ao meio-dia, Kountouriotis saía de uma agência da Caixa Econômica Federal (Caixa) com R$ 7.849, quando foi abordado por dois bandidos. Ele reagiu e foi morto. Os comerciantes são unânimes em dizer que a região, antes considerada tranqüila, agora sofre com a ação dos criminosos. O principal motivo de preocupação são os assaltos às pessoas que saem de agências, como aconteceu com o representante de vendas. Segundo a presidente do Conselho de Segurança (Conseg) de Perdizes, Elizete Fabbri, é cada vez maior a ação dos "olheiros", que seguem as vítimas e em seguida dão dicas aos bandidos sobre saques feitos por elas. "O ladrão sabe o valor, quanto a pessoa sacou e se colocou no bolso, na carteira..." Os estabelecimentos também registraram aumento no número de assaltos. Desde julho, a unidade da Sumaré da rede Fran?s Cafe foi roubada três vezes. Por causa disso, os diretores intensificaram o sistema de coleta - para não deixar grandes quantias por muito tempo nas lojas. "Nós temos câmeras e um segurança. Mesmo assim fomos assaltados duas vezes em dez dias", diz a gerente Rosana da Silva Previtali. Ela acrescenta que os ladrões chegam sempre na parte da manhã e nunca levam grandes quantias. Já na doceria Amor aos Pedaços, que fica ao lado, o roubo mais inusitado foi o de um homem que trajava terno e gravata. A atendente Elisangela Beltrão diz que ele foi ao caixa e pagou um doce para uma criança de rua. Mas, quando a funcionária abriu a caixa para retirar o troco, anunciou o assalto e retirou todo o dinheiro. "Foi tudo muito discreto e rápido." Os bares e restaurantes das imediações também apontam um aumento no roubo de carros de clientes durante a noite. O mesmo aconteceu com alguns moradores da região, como o representante comercial Sérgio Ricardo Faria, de 45 anos, que foi dominado pelos criminosos quando chegava em sua casa com a noiva, às 23 horas. "Eles apontaram a arma e mandaram sair. Só deu tempo de puxar o paletó." Para reduzir a onda de assaltos na região, a presidente do Conseg diz que os moradores do bairro têm apostado em radiocomunicadores. Segundo ela, cerca de dez síndicos de prédios de alto padrão treinaram porteiros para diante de qualquer atitude suspeita na rua se comunicarem."Os funcionários se falam a cada meia hora. Usam senhas para informar que está tudo bem e qualquer problema chamam a polícia." ENTERRO Jean Miguel Kountouriotis foi enterrado ontem, às 10 horas, no Cemitério do Araçá, na zona oeste da capital. Inicialmente, ele seria cremado, mas a família mudou a escolha e optou pelo sepultamento. Ele era casado e tinha uma filha de 10 anos.

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