Gerson Monteiro
Gerson Monteiro

Comércio religioso em Aparecida sofre sem turistas; apenas 13 mil pessoas neste domingo

Liberação de ônibus de excursão deve ocorrer até o próximo fim de semana; expectativa de melhoria para o comércio fica para a festa de 2021

Gerson Monteiro, especial para o Estadão

11 de outubro de 2020 | 18h17

APARECIDA – A pandemia do coronavírus trouxe prejuízos ao comércio religioso de Aparecida, que sobrevive da visita de romeiros vindos de todo o País em excursões. Proibidas desde março, elas devem ser liberadas para o próximo fim de semana. Comerciantes relatam vender menos de 10% do total comparado ao ano passado.

O baixo número de visitantes no Santuário Nacional de Aparecida, no interior de São Paulo, afetou diretamente quem depende do turismo para sobreviver, como é o caso de Irenita Ribeiro da Silva, de 56 anos. A ambulante, que ganhava em média R$ 800 por dia, viu neste ano os valores caírem para R$ 30 diários. Assim, precisou complementar a renda da família de oito pessoas com coleta de reciclagem.

Trabalhando há 40 anos como vendedora de sorvetes no pátio do templo católico, que no ano passado recebeu 162 mil pessoas no 12 de outubro. “Tudo o que tenho na vida veio do trabalho daqui, não posso reclamar. A pandemia acabou com tudo isso”, comenta, acompanhada do filho Cristiano, desempregado, que grita os produtos que vende na tentativa de atrair público para reforçar as vendas com outro carrinho ao lado da mãe.

A venda de ambulantes dentro da área do Santuário é permitida apenas aos sábados, domingos e feriados. A festa religiosa é o ponto alto das vendas. No sábado, 10, foram 10 mil pessoas visitando a imagem da santa. Neste domingo, 11, a movimentação de famílias vindo de carro particular e romeiros vindo a pé foi maior, 13 mil pessoas, segundo a igreja.

“Aparecida é diferente. Para vir para cá, as pessoas passam um ano pagando a viagem. Estamos nessa situação há quase sete meses. Antes do meio do ano que vem é difícil recuperar, ainda mais para lotar um ônibus com 40, 45 pessoas”, pontua o vendedor Vitor de Castro, que tem banca na feira livre há 30 anos, no arredor do Santuário.

Com 20 anos vendendo artigos religiosos no Centro de Apoio ao Romeiro, William Anselmo aguarda com ansiedade a abertura da cidade para a entrada de ônibus de romeiros. “Novembro e dezembro não é ruim, mas para voltar ao normal será difícil. E, para melhorar bem, precisa ter abertura total”, comenta o proprietário da loja que ocupa área administrada pela igreja.

Quem investiu em vendas online viu um prejuízo menor, porém não distante da realidade local. Douglas da Costa tinha um site desatualizado da loja da família que vendia produtos de cunho religioso e ocupa duas portas no shopping. Com a pandemia, recorreu ao comércio virtual para recuperar parte das vendas. Mesmo faturando 300% acima do que vendia no online, elas representam hoje menos de 30% das vendas presenciais.

De acordo com a prefeitura de Aparecida, a liberação dos ônibus de excursão na cidade deve ocorrer nos próximos dias, permitindo ao Santuário receber mais romeiros vindo de outras regiões do país. Para esta liberação a administração municipal considera a Fase Verde do Plano São Paulo para toda a região do Vale do Paraíba, que também amplia o horário de atendimento no comércio.

Neste 12 de outubro, em Aparecida, são aguardadas 16 mil pessoas. A programação tem início às 7h com a Missa da Crianças, que será celebrada na Basílica Velha. 9h acontece a Missa Solene e às 18h é a Missa de Encerramento, ambas transmitidas diretamente do Santuário Nacional. Neste ano toda a programação ocorre de forma virtual, pela TV Aparecida ou pelo site oficial, sem a participação do público.

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