Comércio religioso surgiu na rua na década de 50

Quem conta da melhor maneira a história da Conde de Sarzedas é Araci Miranda, de 77 anos, há 54 vendendo discos e outros artigos religiosos na rua. Ela afirma que sua loja, a gravadora Deus é Amor, foi a primeira evangélica a abrir no local. "A igreja foi construída na mesma época, por coincidência. Aí o povo começou a se aglomerar na igreja e começaram (a abrir mais lojas religiosas). Isso foi dois ou três anos depois", diz Araci. De lá para cá, a rua se tornou referência gospel da cidade. Uma transformação que não agradou à pioneira. "Para mim não foi bom, porque a concorrência aumentou muito e são desleais. Muitos não são evangélicos, mas têm loja aqui só para vender."De início, a gravadora de Araci estava instalada em uma casa no começo da rua. A Conde foi um acaso. "Conseguimos uma casa velha para alugar." Mais tarde, mudou-se para o final dela, em um imóvel próprio, onde está até hoje. "Ficou sendo uma das últimas e, quando o povo chega aqui, já não tem mais dinheiro, não tem mais cheque, não tem mais cartão", reclama. "Tá difícil de se manter. Tem perigo até de fecharmos."A Conde de Sarzedas existe com esse nome pelo menos desde 1894. Segundo o Dicionário de Ruas da Prefeitura, foi chamada assim em homenagem a Bernardo José de Lorena, conde de Sarzedas, fidalgo português e capitão-general de São Paulo entre 1788 e 1797.

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