Cometa negocia final da greve

Os funcionários da Viação Cometa, que opera as linhas intermunicipais e interestaduais em quatro Estados, estão reunidos com a diretoria da empresa para negociar o final da paralisação que começou na manhã desta sexta-feira, primeira greve de tal proporção nos últimos 25 anos. A maioria das linhas entre São Paulo e os Estados do Rio de Janeiro, Minas e Paraná estão paralisadas. Alguma linhas entre as cidades do interior paulista e a capital também estão paradas. Os funcionários da Cometa reivindicam o pagamento de hora extra e protestam contra as freqüentes demissões. A empresa garante que os passageiros que já compraram passagens antecipadas serão acomodados nos carros de outras empresas. Investimentos pesadosEm dezembro do ano passado, o empresário fluminense Jelson da Costa Antunes de 75 anos, presidente do conselho da JCA ? controladora da Viação 1001, da Cometa, da Rápido Ribeirão Preto e da Auto Viação Catarinense ? garantiu que uma revolução administrativa e operacional estava em curso especialmente na Viação Cometa, uma das mais tradicionais empresas de transporte rodoviário do País, com 55 anos de existência. Antunes comprou a paulista Cometa este ano com a intenção de mudar o perfil da empresa, que dizia julgar envelhecido. Antunes trocou a Scania pela Mercedes-Benz e negociou novos ônibus, com chassis da Marcopolo. Eles começam a rodar no dia 13 de dezembro de 2002 e fazem parte de um investimento de R$ 35 milhões em 107 veículos. No total, a JCA deve investirá R$ 50 milhões para renovar 137 veículos da frota das quatro empresas. Ao assumir a Cometa, Antunes também tomou a decisão de diversificar seus serviços. A empresa passará a trabalhar com quatro categorias: ônibus comerciais sem ar-condicionado, com tarifa bem barata; ônibus comerciais com ar-condicionado; ônibus com serviços diversificados com um piso; e os novos ônibus de dois andares, com o novo logotipo. Segundo ele, a renovação será feita aos poucos, pois a Cometa tem 600 ônibus e potencial para crescer mais. Antunes admitia ainda, na mesma ocasião, que serviços tão díspares dentro de uma mesma empresa são mesmo a cara do Brasil. De um lado, estarão os "Quentinhos", apelido dos ônibus sem ar-condicionado, com tarifas menores, próprios para as classes C e D. De outro, os 28 novos Double-Decker, com dois andares e 4 metros da altura, que entrarão nas rotas do Rio, São Paulo, Curitiba (PR), Belo Horizonte (MG) e São José do Rio Preto (SP). Custando R$ 400 mil cada, esses ônibus têm custo operacional 35% superior aos dos carros executivos de três eixos. Antunes quer vê-los com 70% de ocupação todos os dias. Além disso, a empresa está aumentando este ano, segundo o empresário, a oferta de leitos em todas as capitais. "Seu Jelson" contou em dezembro do ano passado que até 1985 os seus ônibus andavam com 75% de ocupação, mas, nos últimos anos, o número baixou para 50%. A culpa não é só do avião, mas também da popularização do automóvel. Dentro da idéia da diversificação de serviços, deve ser inaugurada até o fim deste ano a sala VIP da Cometa no Terminal Rodoviário do Tietê, em São Paulo. A ela seguirão outras, em várias capitais, a exemplo da 1001, que já tinha salas semelhantes, com cafezinho e água gelada para os passageiros. Amor aos desafiosDe acordo com Antunes, diversidade é a arma de sobrevivência das suas empresas. Quando a 1001 começou a sentir o peso da concorrência, dos automóveis e dos aviões, sentiu que era hora de abrir uma transportadora de carga. Daí, veio a idéia de criar salas VIPs, investindo no diferencial. "Inovamos para não demitir". Segundo ele, mesmo que os modais de transporte do Brasil se desenvolvam, o ônibus vai continuar servindo "nas pontas" . A diversão do empresário fluminense é viajar de ônibus e visitar rodoviárias do Rio. Entre outras coisas que disse gostar, em dezembro, quando anunciou os investimentos da JCA, estão os desafios. "E eu adoro desafios", afirmava então o empresário.

Agencia Estado,

14 de março de 2003 | 15h42

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