Comissão de Ética aprova cassação da 'deputada da bolsa'

Processo contra Eurides Brito vai à CCJ e, se aceito, segue para o plenário da Casa, onde com 13 votos perderá o mandato

, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2010 | 00h00

BRASÍLIA

A deputada distrital Eurides Brito (PMDB) sofreu ontem sua primeira derrota no processo de cassação de mandato por suposto envolvimento no esquema do "mensalão do DEM" no Distrito Federal. A Comissão de Ética e Decoro da Câmara Legislativa aprovou, por unanimidade, o relatório que recomenda a perda do mandato de Eurides.

Ela ficou conhecida como a "deputada da bolsa", por aparecer num vídeo recebendo maços de dinheiro do delator do esquema, o ex-secretário de Relações Institucionais do governo do DF, Durval Barbosa, e os colocando na bolsa.

Agora, com a votação concluída no Comissão de Ética, o processo seguirá para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que tem o prazo máximo de cinco sessões para avaliar a o pedido. Se aceito, vai para o plenário da Casa, onde são necessários 13 votos para aprovar a cassação da parlamentar.

Eurides nega participação no esquema de corrupção, sob a alegação de que o dinheiro recebido era para pagar despesas da campanha de 2006.

No cargo. A deputada não quis renunciar ao mandato antes da abertura do processo de cassação. Outros dois colegas de Câmara envolvidos no episódio, Leonardo Prudente (sem partido) e Júnior Brunelli (PSC), também flagrados em vídeo recebendo dinheiro de Barbosa, abriram mão da cadeira de deputados e escaparam de uma investigação interna por quebra de decoro parlamentar.

O esquema do "mensalão do DEM" veio à tona em novembro do ano passado, por meio da operação Caixa de Pandora, realizada pelo Ministério Público e pela Polícia Federal. A investigação apontou desvio de dinheiro público na gestão de José Roberto Arruda (ex-DEM, sem partido) com a participação das empresas contratadas por seu governo.

De acordo com a PF, a propina era dividida entre deputados aliados e políticos do alto escalão do Distrito Federal.

O ex-governador Arruda passou dois meses preso na superintendência da PF em Brasília e foi cassado por infidelidade partidária depois de ser obrigado a deixar o DEM para evitar a expulsão da legenda.

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