Comissão de ética pública vai avaliar gesto de Garcia

Segundo ele, gesto obsceno foi "um ato privado" de reação a um artigo que teria sido publicado

30 Julho 2007 | 17h39

A assessoria da Comissão de Ética Pública está avaliando, nesta segunda-feira, 30, no Rio, a atitude do assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia.   Veja também:   Reação de Marco Aurélio Garcia após reportagem do JN   Ele foi filmado por um cinegrafista da Rede Globo, em seu gabinete no Palácio do Planalto, fazendo obsceno ao tomar conhecimento, por meio de notícia veiculada pelo Jornal Nacional, de que havia indícios de falha mecânica no Airbus da TAM que se chocou com o prédio da empresa na última terça-feira, 17, no Aeroporto de Congonhas, causando a morte de 199 pessoas.   Ao "Jornal Hoje", da TV Globo, o presidente da Comissão de Ética Pública, Marcílio Marques Moreira, disse que os princípios éticos devem estar presentes não só na vida pública dos servidores, mas também na vida particular. É ele quem está conduzindo o processo de investigação.   No programa "Canal Livre", da TV Bandeirantes, o assessor voltou a se desculpar pelos gestos obscenos que fez ao ver informações sobre as investigações do acidente com o avião da TAM. Sem citar nomes, porém, ele criticou o que chamou de "exploração sórdida" do episódio por parte de órgãos de imprensa.   "Diante de certa perplexidade de partidos de oposição, eu acho que alguns órgãos de imprensa estão tentando substituir os partidos de oposição", acusou.   O assessor revelou também que chegou a colocar o cargo à disposição. "Quando eu tive claro o dano que isso poderia trazer para o governo, evidentemente eu me comuniquei com o chefe de gabinete e disse que estava colocando o meu cargo à disposição, se isso criasse algum tipo de dificuldade maior para o governo", disse.   Garcia disse que foi "um ato privado" de reação a um artigo que teria sido publicado, em um grande jornal de circulação nacional, acusando o governo de assassinar 200 pessoas. "Isso é muito forte", afirmou. "Quando veio aquela notícia (de que o acidente poderia ter sido causado por falha mecânica do avião), longe de se comemorar, o que se pretendeu naquele momento era uma reação de desabafo", prosseguiu. O assessor disse ainda que o desabafo era contra aqueles que tentaram "instrumentalizar uma tragédia em proveito de determinadas pessoas políticas, que são conhecidas."   Caos aéreo e Anac   O assessor admitiu que, como freqüentador assíduo de aeroportos, não teria como negar que há problemas no sistema aéreo brasileiro. "Porém, não há nenhuma relação estabelecida até agora entre o acidente com o avião da Gol e o desarranjo no sistema aéreo brasileiro", garantiu Garcia. Ele observou que, enquanto não terminarem as investigações, não se pode dizer que os dois acidentes tenham relação com a crise no setor. "No centro do debate estão a crise aérea e o outro problema é uma tentativa de desestabilização de um governo por parte de algumas forças políticas."   Provocado sobre a real necessidade e utilidade das agências reguladoras, Garcia preferiu não fazer comentários "no calor da crise". Sobre as denúncias de que a diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Denise Abreu, teria um irmão que trabalha como advogado da TAM em Genebra, e que o diretor da agência José Barat seria sócio da Planam, que presta serviços para a TAM, o assessor foi incisivo: "Se essas denúncias se comprovam, eu acho que são gravíssimas", sustentou. "Sobre isso o governo não pode ter nenhuma complacência. E não terá."

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