Comissão de investigação do acidente viaja amanhã para o Canadá

Membros da comissão de investigação do acidente com o vôo 1907, da Gol, deverão ir nesta quarta-feira, 11, ao Canadá acompanhar as investigações da caixa-preta do Boeing 737-800, que caiu no último dia 29 após colidir com um jato Legacy, fabricado pela Embraer, causando a morte de 154 pessoas. De acordo com o especialista em segurança de vôo do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea), Ronaldo Jenkins, o aparelho, que grava as informações de vôo, também deve ser enviado para o Canadá nesta quarta.A comissão de investigação está sendo ampliada com a convocação de representantes de todas as partes envolvidas e responsáveis pelo acompanhamento do caso. Jenkins conta que foi convidado oficialmente no sábado, por telefone, pelo presidente da comissão, coronel Rufino da Silva Ferreira. Segundo o especialista do Snea, membros da Gol, da Boeing, da Embraer, do governo americano, do Sindicato Nacional dos Aeronautas e do Departamento de Controle do Espaço Aéreo também integrarão a equipe.Plano de vôoJenkins afirma que a tripulação do Legacy poderia ter seguido seu plano de vôo mesmo sem sinal de rádio. No entanto, o especialista considera que é impossível ficar sem sinal de rádio na região de Brasília. O plano de vôo estabelecia que o jato deveria manter altitude de 37 mil pés até Brasília, descendo para 36 mil após a capital federal e depois subir para 38 mil pés no ponto de transferência entre a torre de Brasília e Manaus (Teres, no jargão do setor)."Ninguém fica incomunicável em Brasília. Numa região dos trópicos, próxima ao Equador, a influência de ondas eletromagnéticas pode dificultar a propagação de freqüências de rádio, mas há ene freqüências que poderiam ser usadas", afirma Jenkins. Ele se referiu aos depoimentos da tripulação do Legacy dando conta de que teria havido falha de comunicação com a torre de controle de Brasília. Caixas-pretas A Comissão de Investigação do acidente com o avião da Gol terá em mãos, na semana que vem, as informações completas das caixas-pretas do Boeing e do jato Legacy, que se chocaram no dia 29 de setembro. A análise dos dados - como as gravações das conversas entre os pilotos, os registros da comunicação (ou falta de) com os centros de controle e a altitude das aeronaves - será decisiva para que os investigadores esclareçam as causas da colisão. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), as caixas-pretas do Gol, encontradas em meio aos destroços, na Serra do Cachimbo (MT), ficaram bastante avariadas com o acidente, o que pode trazer dificuldades ao trabalho da comissão. Uma parte do registrador de voz, inclusive, foi perdida. Já as do Legacy, retiradas em solo e já avaliadas previamente em São José dos Campos, sede da Embraer, fabricante do jato, estavam em bom estado. No Canadá, elas passam por leitura mais minuciosa. Os dados estão contidos em dois equipamentos: o Cockpit Voice Recorder (CVR), cujo sistema de microfones grava tudo o que é falado na cabine de comando, e o Flight Data Recorder (FDR), que guarda registros digitais dos chamados "parâmetros de vôo", como altitude, velocidade, inclinação do avião, aceleração vertical, condições de vento, direção, potência dos motores, fluxo de combustível, entre muitos outros. O coordenador da Comissão de Investigação, coronel-aviador Rufino Antônio da Silva Ferreira, viajaria para Ottawa, no Canadá, entre ontem à noite e hoje de manhã, para presenciar as transcrições. Ao voltar ao Brasil, na semana que vem, Ferreira, que é chefe da Divisão de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Dipaa) do Departamento de Aviação Civil (DAC), deverá divulgar os resultados. As caixas-pretas foram levadas para um laboratório canadense porque o país foi considerado "terreno neutro" - poderiam ter ido para os Estados Unidos, onde fica a fábrica da Boeing; entretanto, a Aeronáutica levou em conta o fato de o Legacy pertencer a uma empresa norte-americana, a ExcelAire, e de Joseph Lepore e Jan Paul Paladino, os pilotos do jato, também serem dos EUA (o que tornaria o País parte interessada no resultado das investigações). O Canadá é sede da Organização da Aviação Civil Internacional (Oaci).Lepore e Paladino continuam no Rio, hospedados no hotel JW Marriot, em Copacabana. Nesta terça, eles receberam a visita de um representante do consulado norte-americano no Rio. Os dois pilotos mantêm rotina discreta. Não dão entrevistas, não aparecem na janela do quarto e não conversam com funcionários do hotel.

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