Comissão ouve vítimas de extorsão e tortura de PMs

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, deputado Alessandro Molon, esteve neste sábado em Parada de Lucas, bairro da zona norte da capital, para ouvir depoimentos de vítimas de torturas e extorsão praticadas por PMs, além de parentes de Leandro dos Santos Silva, de 24 anos, assassinado por policais, e testemunhas do crime. Molon acredita em vazamento de informações, já que a execução deSilva ocorreu depois que os PMs do 16.º Batalhão (Olaria) foramdenunciados à Corregedoria da PM, à Corregedorial Geral Unificada e à Inspetoria Geral de Poícia. ?É o ponto mais grave. É muito provável que tenha havido vazamento. Não sei de onde?, disse o deputado.Molon contou que a Comissão de Direitos Humanos vai acompanhar as investigações sobre o assassinato. Ele se mostrou impressionado com o clima de terror que impera entre as pessoas que ouviu. Elas contaram que continuam sendo ameaçadas de morte pelos PMs. ?Eles receberam recados de que outros PMs vão voltar para matar até mesmo as crianças das famílias que fizeram as denúncias?, disse o deputado. Oito policiais envolvidos já estão presos.A situação, segundo Molon, se agrava porque dois homens que fazemparte do grupo que há um mês vinha torturando e extorquindo moradores de Parada de Lucas continuam soltos. Um deles, identificado como tenente Flávio e também conhecido como Russo, seria um ex-PM, que foi expulso da corporação, mas continuaria usando a farda de policial. Russo, segundo as testemunhas, seria o mais truculento durante as sessões de tortura. O outro agressor não foi identificado.

Agencia Estado,

29 de novembro de 2003 | 21h59

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