Comissão pede explicação a ministro por uso de carro oficial em campanha

A Comissão de Ética Pública da Presidência da República decidiu encaminhar ao ministro-chefe da Controladoria Geral da União (CGU), Jorge Hage, um pedido de esclarecimentos em relação ao uso do carro oficial, na última quarta-feira, quando ele e mais 16 ministros participaram de um almoço na casa do também ministro das Comunicações, Hélio Costa, para traçar estratégia de campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Tentando diminuir os estragos políticos e eleitorais de sua atitude, já que é o encarregado das questões éticas e do combate à corrupção, o chefe da Controladoria da União se antecipou e encaminhou à comissão esclarecimentos sobre o ocorrido. Na próxima semana, a comissão de ética deverá avaliar se as explicações para o uso do carro oficial em evento eleitoral foram ou não satisfatórias.Na quinta-feira, em nota oficial, a Comissão de Ética informou que os ministros e altos funcionários da administração pública podem participar de eventos eleitorais, mas não podem assumir funções de coordenação de campanha, "formal ou informalmente", mesmo que tirem férias da administração pública.Função exemplarJustamente na quinta, foi publicado no Diário Oficial um pedido de férias do ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia, a partir de segunda-feira, dia nove, para se dedicar à coordenação informal da campanha à reeleição de Lula em Minas. Outros ministros estavam anunciando que poderiam seguir o mesmo caminho."É muito prudente separar bem as coisas porque um ministro tem de ser um exemplo para o cidadão. Daí a necessidade de haver clareza nas suas posições. Não pode haver nenhum tipo de confusão", declarou ao Estado o presidente da comissão de ética, Marcílio Marques Moreira. "A autoridade tem de ser exemplar. Ela não pode suscitar dúvidas de que não esteja atuando de maneira absolutamente correta porque ela é como a mulher do César: ela não só tem de ser honesta, assim como tem de parecer ser honesta. Por isso, ela não pode confundir a sua posição como autoridade em função pública, com a posição dela como cidadão ou representante partidário. Definitivamente não pode haver confusão", afirmou Marcílio.A comissão de ética entende ainda que o ministro ou alto funcionário da administração pública não pode emendar um evento oficial com um de campanha. "Ficou claro que não pode esticar um compromisso oficial", comentou Marcílio Marques Moreira. Esta é a prática mais comum usada pelos ministros que aproveitam o jatinho da FAB para ir a uma cidade e lá permanecem para algum evento de campanha. Esse mesmo expediente vetado aos ministros, é muito usado pelo presidente Lula, em inúmeras de suas viagens. Só que Lula não está obrigado a seguir o código de ética.

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