Filipe Araujo/AE-15/2/2011
Filipe Araujo/AE-15/2/2011

Comitê cobra apuração da morte de jornalista

Em seus programas na TV e no rádio, Luciano Leitão Pedrosa apontava ligação de autoridades de Santo Antão (PE) com quadrilhas

Gabriel Manzano, O Estado de S.Paulo

12 Abril 2011 | 00h00

O Comitê de Proteção dos Jornalistas (CPJ), de Nova York, pediu ontem que autoridades brasileiras investiguem com rigor a morte do jornalista Luciano Leitão Pedrosa, ocorrida no sábado em Vitória de Santo Antão, no interior de Pernambuco.

"Pedimos que as autoridades conduzam uma completa investigação e considerem seu jornalismo como um possível motivo", afirmou em nota o coordenador de América Latina do CPJ, Carlos Lauria.

Pedrosa, de 46 anos, vinha denunciando a ligação de autoridades locais com quadrilhas da região em seus programas na TV Vitória e em uma rádio FM. Ele levou quatro tiros quando jantava em um restaurante da cidade e o pistoleiro fugiu de moto, com um companheiro, sem ser identificado. "Cabe às autoridades", prosseguiu Lauria, "assegurar que os autores desse crime sejam levados à Justiça e garantir que jornalistas críticos possam trabalhar sem que suas vidas corram risco."

É a segunda vez, em 20 dias, que um jornalista é atacado a tiros, no Brasil, e a terceira vez, em três dias, que entidades internacionais questionam autoridades brasileiras sobre a falta de garantias para os jornalistas no exercício de seu trabalho.

No dia 23 de março, o blogueiro carioca Ricardo Gama levou dois tiros no rosto e um no tórax quando passeava em Copacabana. Levado ao hospital Copa d"Or, foi submetido a exames e cirurgias. Gama tem criticado a polícia, em seus comentários na internet.

Foi ele quem divulgou um vídeo, durante a campanha eleitoral de 2010, em que o governador Sérgio Cabral chamou de "otário" um jovem que tentou entrevistá-lo, e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante inauguração de obras do PAC em uma favela carioca.

Justiça lenta. No sábado, antes do crime de Pernambuco e da nota da CPJ, a Sociedad Interamericana de Prensa (SIP) aprovou resolução, durante encontro nos EUA no qual relatou 20 assassinatos de jornalistas no País desde os anos 90 - pelos quais ninguém ainda foi punido -, em que pede ao Congresso brasileiro que apresse a aprovação de leis para tornar mais rápidos os processos a respeito.

Um dia antes, a mesma SIP pediu ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que tome "providências rápidas" para agilizar o julgamento da censura judicial ao Estado, proibido de divulgar informações sobre a Operação Boi Barrica, da Polícia Federal, no qual está envolvido o empresário maranhense Fernando Sarney.

O risco dos jornalistas, no entanto, está presente em muitos outros países. Relatório anual do Comitê de Proteção aos Jornalistas, divulgado em fevereiro, revela que 44 jornalistas foram mortos em 2010 e que 145 estão presos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.