Comitê da petista busca contribuição de setores em expansão

Indústria naval, bancos, construção civil e outros segmentos aquecidos são alvos da campanha petista para arrecadar R$ 157 mi

João Domingos / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2010 | 00h00

A coordenação da campanha da petista Dilma Rousseff trabalha para arrecadar R$ 157 milhões - R$ 30 milhões deverão vir do caixa do PMDB - baseada em um raciocínio bem simples: assim como os pobres, que as pesquisas indicam estar satisfeitos com o governo Lula, os ricos também estão.

Os arrecadadores de Dilma avaliam ter vantagem em relação a José Serra e preveem receber, em doações, até três vezes mais do que o adversário, embora o tucano tenha estimado gastos maiores - R$ 180 milhões. Um dos coordenadores da campanha de Dilma arriscou-se a dizer que "para cada R$ 0,1 para Serra, Dilma terá R$ 0,3".

De acordo com os petistas, os empresários têm dito que não há motivos para queixas. Como para eles Dilma é a continuidade do atual governo, não haveria motivos para os empresários negarem as contribuições eleitorais quando forem procurados.

A indústria naval, por exemplo, que estava quebrada antes do início do governo de Luiz Inácio da Silva, foi reativada graças, principalmente, às encomendas da Petrobrás. A estatal do petróleo já anunciou que investirá R$ 52 bilhões na próxima década.

A descoberta do petróleo na camada pré-sal vai movimentar ainda mais o setor. Já há 424 encomendas até 2020, sendo 146 de apoio para alto mar, 47 plataformas, 164 navios, 46 navios-tanques e 28 sondas que devem começar a operar a partir de 2013. Quatro estaleiros já estão aptos para construir plataformas.

Lucros recordes. Os petistas dizem que o setor financeiro não teve dificuldades nem durante a crise econômica internacional deflagrada em 2008. Isso graças a programas incentivados pelo governo, que blindaram os bancos com uma forte movimentação de dinheiro no mercado interno e possibilitaram a alguns deles, como o Bradesco, terem em 2010 o maior lucro da história.

Soma-se a isso o crescimento da indústria da construção pesada no Brasil e exterior, com abertura de mercados em países da América Latina, como Bolívia, Peru, Argentina, Equador e Venezuela, por conta de financiamentos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aos vizinhos. A exigência feita para os empréstimos é que os governos dos países contratem empresas brasileiras.

Segundo o raciocínio dos coordenadores da campanha do PT, o mercado da construção civil está superaquecido graças ao programa Minha Casa, Minha Vida, que no governo de Lula promete construir 1 milhão de casas. Dilma já anunciou que, se eleita, tocará a segunda fase do projeto, agora com 2 milhões de casas - os números são citados em discursos, mas não aparecem nos documentos oficiais do programa.

Os petistas também incluem entre os setores que tiveram expansão no governo de Lula a indústria da carne, de automóveis, petroquímica, eletroeletrônicos e de informática, além da recuperação do setor calçadista.

Palocci. Para correr atrás do dinheiro dos ricos, o comitê de Dilma destacou o deputado Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda com trânsito entre todos os empresários. Palocci até desistiu de concorrer à reeleição. Vai dedicar-se integralmente à campanha, missão que já começou.

Palocci delegou a outros três petistas a incumbência de passar o chapéu junto ao setor empresarial para arrecadar o dinheiro necessário: José Eduardo Dutra, presidente do PT e coordenador da campanha, José Eduardo Cardozo, secretário-geral do PT, e José de Filippi Júnior, que foi o tesoureiro da campanha para reeleição de Lula, em 2006.

Candidato a uma cadeira de deputado federal por São Paulo, Filippi terá de fazer jornada dupla para conseguir o dinheiro e ainda cuidar de sua campanha. Ele foi três vezes prefeito de Diadema e, nos últimos meses, estava morando nos Estados Unidos, para temporada de estudos.

Filippi foi chamado às pressas para assumir a missão de tesoureiro da campanha de Dilma após o nome de João Vaccari Neto, escolhido para a função, ser envolvido no escândalo da Bancoop - fraudes que teriam sido cometidas pela diretoria da cooperativa, sob o comando de Vaccari, destinadas a beneficiar candidatos do PT. O caso está sendo investigado por uma CPI da Assembleia Legislativa de São Paulo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.