Comitê de Heloísa culpa TSE por erro em prestação de contas

O comitê da candidata do PSOL à Presidência, senadora Heloísa Helena (AL), que protagonizou a mais estranha prestação parcial de contas desta eleição, culpou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por registrar como zero reais os gastos efetuados por ela na campanha. "Devido a uma falha no programa do computador, os gastos não foram lançados no relatório final, o que gerou a errônea informação de gasto zero", disse Martiniano Cavalcanti, tesoureiro da campanha. A assessoria do TSE negou qualquer problema com o sistema de informática.Segundo Cavalcanti, os gastos foram pagos através de doações de militantes e simpatizantes do PSOL ao próprio partido no valor de R$ 105.009,41. A maior parte do dinheiro, R$ 50 mil, pagou a Fábrica de Sonhos, produtora de vídeo responsável pelo trabalho de produção dos programas de TV e Rádio, das artes finais de materiais gráficos e marcas de campanha. Outros R$ 30 mil foram destinados a empresa Espantalho, que arquiva todas as notícias publicadas na imprensa sobre a senadora, e difunde notícias geradas pela candidata junto aos veículos de comunicação. Com a confecção de 100 mil cartazes e 200 mil adesivos, o partido gastou R$ 15 mil. "O restante constitui doação de militantes para custear diretamente passagens e hospedagens das viagens para os estados", afirma Cavalcanti. A confusão se deve ao fato do PSOL estar pagando diretamente as contas de campanha de Heloísa Helena. Ou seja, faz uma doação a candidata que, a rigor, não gastou nada com esses serviços e contratações. O mesmo ocorreria se uma empresa área doasse passagens aéreas para o deslocamento da senadora, que não teria como registrar como despesas um bilhete aéreo doado. Os maiores financiadores da campanha até agora foram os próprios parlamentares do partido. Segundo o tesoureiro do partido, os deputados federais, obrigados a entregar 25% dos rendimentos ao partido, contribuíram, cada um, com R$ 15 mil. Apenas as deputadas Luciana Genro (RS) e Maninha (DF) estavam em débito. Os deputados estaduais entraram com R$ 7 mil. O partido, que deseja apresentar no horário eleitoral o detalhamento de suas receitas, para confrontar com a prestação de contas dos outros candidatos supostamente financiado por grandes grupos econômicos, também reclama do fato de que os bancos oficiais não estão registrando o CPF de todos os contribuintes. "Gostaríamos de mostrar para os eleitores quem são nossos financiadores", diz Cavalcanti.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.