Como 2 e 2 são 5

O caso de Minas Gerais é típico: o acordo de candidatura única para o governo do Estado já foi anunciado umas três vezes, adiado outras tantas, e quanto mais o PT e o PMDB se reúnem para acertar os termos da aliança mais confusas parecem as relações entre os dois partidos.

Dora Kramer, O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2010 | 00h00

Da penúltima vez que representantes do PT nacional anunciaram que o martelo em Minas estava batido, o ato oficial de apoio ao candidato do PMDB, Helio Costa, para governador foi marcado para o dia 9 de maio.

O PT pedira ao PMDB uma semana de prazo depois da realização das prévias (dia 2) alegando a necessidade de se organizar internamente. Todas as garantias de que as prévias eram para escolher o candidato a senador, nada a ver com candidatura própria.

Pois Fernando Pimentel venceu as prévias, o dia 9 de maio sumiu do calendário e da última vez que o assunto foi tratado em público, agora já por representantes nacionais do PT e do PMDB, o ato oficial de apoio a Hélio Costa ficou adiado para 6 de junho.

Explicação? É necessário mais um prazo para apaziguar a militância cuja expectativa é a de ter candidatura própria e não apoiar um candidato do PMDB.

Mas não estava tudo certo? Palavras não foram empenhadas? Os militantes que votaram nas prévias não foram avisados de que escolhiam o candidato a senador na chapa única? O presidente da República não havia acenado com a hipótese de intervenção no diretório regional caso não se cumprisse o prometido?

De qualquer modo ainda há prazo, embora não deixe de ser esquisito que as direções de dois partidos em vias de fechar uma aliança para disputar a Presidência da República não explicitem com clareza os critérios que conduzem os procedimentos dos acordos regionais nem sigam um calendário por elas previsto.

Os desacertos locais se refletem no plano nacional. Marcado para 15 de maio, o grande ato de sagração da aliança com o anúncio de Michel Temer como candidato a vice foi transferido para 12 de junho.

Explicação? Genérica: necessidade de aparar arestas em vários Estados do País.

Nenhuma novidade em se tratando de dois partidos cujas bases em determinadas regiões são de origens e práticas inteiramente diferentes, animosas entre si.

O PMDB que numa fase anterior explicitava as divergências, agora está mais cuidadoso. Evita manifestações que possam ser interpretadas como ameaças de rompimento da aliança nacional. Inclusive porque, nessa altura, não teria discurso nem motivo para tal.

Nunca mais se teve notícia do programa de governo que o PMDB pretendia apresentar a Dilma Rousseff até 8 de maio. Hoje, portanto. O prazo acabou e ninguém se sentiu no dever de dar uma satisfação.

O mais provável, a despeito dos descompassos, é que no fim tudo acabe saindo como previsto. É diferente de dar certo do ponto de vista do funcionamento harmonioso da aliança.

Mas conviria ao PT e ao PMDB perceberem que da forma como agem dão a nítida impressão de que as coisas entre eles parecem tão certas como 2 mais 2 são 5.

Base. O índice de 7,7% de reajuste para as aposentadorias acima de um salário mínimo aprovado pela Câmara, deve mesmo ser mantido pelo Senado.

Já o fator previdenciário ? o cálculo que adia a aposentadoria à medida que aumenta a expectativa de vida ? tem boa chance de ser retomado pelo Senado.

A Câmara fez terra arrasada na Previdência. O Senado recuperaria o ponto mais arrasador para as contas, embora o menos desgastante para o presidente Lula vetar, mas deixaria para ele o ônus do veto do reajuste.

E a isso ainda se dá o nome de base parlamentar aliada.

Equipe. Quando diz que pretende, se eleito presidente, convidar o PT e o PV para fazer parte do governo, no que se refere aos verdes o tucano Jose Serra tem em mente o nome do médico sanitarista Eduardo Jorge para o Ministério do Meio Ambiente. Ele é coordenador da campanha de Marina Silva e foi secretário municipal do Meio Ambiente de São Paulo.

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