Comoção marca enterros das vítimas de acidente com alunos da Apae em MG

Cidade de Ipatinga decretou luto oficial de três dias pelas 11 mortes; 22 pessoas ficaram feridas

Marcelo Portela, O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2010 | 16h33

BELO HORIZONTE - Muita tristeza, comoção e perplexidade marcaram o velório e enterro das vítimas do acidente com dois ônibus ocorrido em Carbonita (MG), no fim de semana, que deixou 11 mortos e 22 feridos. Desde a madrugada desta segunda-feira, 18, dois velórios coletivos foram montados em Ipatinga, no Vale do Rio Doce mineiro, para receber os corpos das vítimas, enterrados pela manhã e no início da tarde no cemitério Parque Senhora da Paz.

 

O acidente ocorreu por volta das 23h de sábado, quando o ônibus em que as vítimas estavam caiu de uma ponte na MG-451 sobre o Rio Araçuaí, de uma altura estimada pelo Corpo de Bombeiros em aproximadamente 30 metros. O veículo voltava de Montes Claros, no norte de Minas, onde alunos e funcionários da Associação de Pais e Amigos de Excepcionais (Apae), da Associação Esportiva e Recreativa Usipa e da Associação de Deficientes Visuais (Adevip) de Ipatinga participaram dos Jogos do Interior de Minas Gerais (Jimi).

 

"Está todo mundo abalado e ainda não sabemos o que vamos fazer. É uma situação terrível. Estamos sobrevivendo, mas estamos todos muito apreensivos sobre como será daqui para frente. Só é certo que continuaremos funcionando, mas não sabemos quando serão retomadas as atividades", afirmou Gilda Gomes, da direção da Apae, que ainda decidirá quando a entidade reabrirá as portas. Cinco alunos, uma professora e um enfermeiro da instituição - que atende a 302 estudantes - estão entre os mortos. "Todos se conheciam e a tristeza é geral", acrescentou.

 

Nesta tarde, segundo a prefeitura de Ipatinga, 15 feridos já haviam sido liberados dos hospitais São Vicente de Paula, em Carbonita, Velho, em Itamarandiba, e Nossa Senhora da Saúde, em Diamantina, para onde foram levados após o acidente. As outras sete vítimas que sobreviveram também haviam sido liberadas - cinco no domingo e duas nesta segunda -, mas, depois de passarem por avaliação na policlínica de Ipatinga, foram encaminhadas para a realização de exames complementares no Hospital Márcio Cunha, onde continuavam internadas na à tarde.

 

Luto. Os corpos começaram a chegar ao município por volta das 3h. As despesas com o transporte dos corpos, velórios e enterros ficaram a cargo da prefeitura de Ipatinga. O prefeito Robson Gomes (PPS) decretou luto oficial de três dias na cidade. O governador reeleito Antônio Anastasia (PSDB) também esteve no município para acompanhar parte dos sepultamentos. Devido ao estado dos corpos, não houve como esperar a chegada de todos os corpos e os enterros ocorreram ao longo de toda a manhã e no início da tarde.

 

Entre os mortos está o medalhista paraolímpico Sandro Alex Cruz Santos, de 33 anos, que era ligado à Usipa e representou o Brasil em quatro competições internacionais. Seu corpo foi velado no ginásio junto com os de Lucas Augusto Moreira Silva, de 14; Marcelo Henrique Avelar, de 23; Marlon Honório Willian e Vinícius Nonato Nunes, ambos de 18; e a professora Mara Helena de Castro, que não teve a idade divulgada. Na capela foram velados os corpos de Maria Isabel Perboyre, de 46; Maria de Fátima da Silva, de 51; Júlio César Serapião, de 18; Fabrício de Almeida, de 29; e Luzia de Paiva Nogueira, também de 51.

 

Freios. Segundo a Polícia Militar, um defeito nos freios do ônibus que caiu da ponte teria sido a causa do acidente. Pelos levantamentos da PM, o motorista do veículo, que era fretado, não teria conseguido reduzir a velocidade e tentou desviar de outro ônibus que seguia à frente quando foi atingido na lateral, perdeu o controle e saiu da pista ao lado da ponte. A perícia analisou o veículo e o laudo deve sair nos próximos dias.

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