Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Companheiro é responsável por um terço dos assassinatos

Mapa da Violência 2015 revela que 55% dos crimes de violência de gênero no Brasil foram cometidos no ambiente doméstico

Luísa Martins, O Estado de S.Paulo

09 Novembro 2015 | 00h01

BRASÍLIA - O Mapa da Violência 2015, divulgado nesta segunda-feira, 9, revela que 55% dos crimes de violência de gênero no Brasil foram cometidos no ambiente doméstico – e que 33,2% dos homicidas eram parceiros ou ex-parceiros das vítimas. Isso significa que, a cada 10 mulheres com mais de 18 anos, quatro foram mortas pelos companheiros ou ex-companheiros, que usaram, com maior prevalência, força física ou objeto cortante. As armas de fogo são mais comuns nos assassinatos de homens.

“A violência contra a mulher é um problema de saúde pública, que ocorre em diversas regiões do País e do mundo. Divulgar dados e estudos sobre esse tema ajuda a compreender a dimensão do problema e pôr fim a esta prática”, afirma o representante da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (Opas/OMS) no Brasil, Joaquín Molina.

O Mapa da Violência analisou os dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, e verificou que a reincidência acontece em praticamente metade dos casos de atendimento feminino, permitindo supor que “a violência contra a mulher é mais sistemática e repetitiva do que a que acontece contra os homens”. A pesquisa ainda sugere que tamanho nível de recorrência “deveria ter gerado mecanismos de prevenção”.

A recente promulgação da Lei do Feminicídio, em março deste ano, foi citada na pesquisa. Os autores afirmam que a norma deverá incidir para que, em breve prazo, tenha-se uma fonte mínima de análise a partir da tipificação dos boletins de ocorrência e dos inquéritos policiais. A lei estabelece que, quando o homicídio de mulher acontece por “razões de condição de sexo feminino” (violência doméstica, menosprezo ou discriminação), deverá ser considerado crime hediondo, por “atentar contra os valores basilares da sociedade”.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.