Complexo do Alemão terá patrulhamento permanente

O Grupo de Policiamento em Áreas Especiais (GPAE), que faz patrulhamento comunitário em favelas, vai atuar na Vila Cruzeiro, no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio, onde o jornalista da TV Globo Tim Lopes foi pego por traficantes antes de ser executado. A partir de setembro, 100 policiais estarão permanentemente no morro.O modelo será o mesmo desenvolvido há dois anos no conjunto de favelas Cantagalo-Pavão-Pavãozinho, na zona sul, onde os tiroteios entre bandidos e policiais cessaram depois da entrada do GPAE. A experiência mostrou que os moradores passam a confiar mais na polícia à medida em que são tratados com respeito. Como a implementação do grupo demanda tempo - por causa da necessidade de recursos do Estado, de treinamento dos policiais e de conversa com as associações de moradores locais -, será feita antes uma ocupação social que deve começar nos próximos dias.O subsecretário de Segurança Pública, Ronaldo Rangel, anunciou a decisão hoje, durante reunião com a comissão de jornalistas que acompanha a apuração do caso Tim Lopes. Ele espera contar com a colaboração das igrejas que atuam no Complexo do Alemão para conseguir o apoio dos moradores. "Esses tipo de projeto só dá certo com a participação da comunidade", disse Rangel. O sindicato quer fazer da morte de Lopes um marco de mudança no quadro de violência na cidade.PrisãoFoi preso ontem o traficante Marco Aurélio Rodrigues da Silva, o Marquinho AK, de 21 anos, na Grota, outra favela do Complexo do Alemão. O traficante aparece nas imagens feitas por Lopes para a série de reportagens sobre a feira de drogas. Nas cenas, Marquinho veste camisa e boné pretos e leva um fuzil no ombro.De acordo com o delegado Sérgio Falante, da 22ª Delegacia de Polícia, Marquinho AK não tem envolvimento na morte do jornalista. Depois de ser preso, o traficante admitiu que trabalhou na feira de drogas, mas disse que havia sido "demitido" depois que agrediu uma pessoa no local.Policiais da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) pediram o mandado de prisão do traficante. Segundo o delegado Falante, a maior dificuldade é que Marquinho AK não tem identificação civil - ele sequer foi registrado quando nasceu. O traficante deve ficar preso na DRE, onde já há um inquérito para apurar a feira de drogas denunciada por Lopes.Policiais da Coordenadoria de Operações Especiais (Core) e da Delegacia de Homicídios foram ao Alemão hoje investigar denúncia de que havia partes do corpo de Tim Lopes numa vala. Nada foi encontrado. Agentes federais também estiveram no local, à procura de Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, acusado de matar o repórter, mas também não tiveram sucesso.Na Favela de Manguinhos, na zona norte, foi preso Aurélio Sarapião, de 21 anos, que vestia uma camisa com inscrições que fazem alusão à facção criminosa de Elias Maluco. Além da sigla da facção, há nomes de favelas onde a venda de drogas é controlada pela quadrilha. Com ele foram apreendidos duas granadas e cinco quilos de maconha prensada.

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