'Comunidade negra não teve forças para aprovar texto melhor'

Frei David Raimundo dos Santos

, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2010 | 00h00

TEÓLOGO, PRESIDENTE DE HONRA DA EDUCAFRO, DEDICADA ÀS POLÍTICAS DE IGUALDADE RACIAL

Dedicado, há três décadas, à defesa dos direitos dos negros na sociedade brasileira, frei David Raimundo dos Santos, da ONG Educafro, não se animou com a nova lei. Entende, apenas, que "a conjuntura de forças políticas que a comunidade negra reuniu não foi suficiente" para aprovar um texto melhor.

O senhor gostou do estatuto?

Acho que o texto final, alterado pelo senador Demóstenes Torres, tem uma visão equivocada da sociedade brasileira. Vai até contra posições da Febraban, que no ano passado aprovou um plano de valorização e inclusão da comunidade negra do País. Imagino que nossos irmãos negros no Congresso, como o senador Paulo Paim e o deputado Elói Ferreira de Araújo, votaram com a faca no pescoço. Achando melhor ter um pássaro na mão do que 100 voando. Nem sempre isso funciona...

Então o estatuto não lhe parece um progresso?

O Senado acordou ontem com três possibilidades. Votar o texto original, de 2004, votar o texto alterado pela Câmara em 2009 ou a versão do senador Demóstenes Torres, do DEM. No fim, era esse texto ou esperar mais 10, 20 anos...

O que está errado no texto?

É ingenuidade achar que todos somos iguais. Ou que o despertar do povo negro é perigoso. Ora, a Educafro já conseguiu que várias faculdades adotassem cotas para negros. E em nenhuma houve conflito nenhum.

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