Comunidade se mobiliza para manter escola pública

Um grupo de pais, alunos, ex-alunos, professores e funcionários ligados à Escola Estadual Antônio Alves Cruz, em São Paulo, está mobilizado em torno de uma causa: evitar que o colégio feche por falta de alunos.Apesar de se localizar em Pinheiros e em uma região de fácil acesso - fica perto de duas estações de metrô -, de oferecer cursos profissionalizantes e de funcionar de dia e à noite, a escola tem baixo número de matrículas, mal chegando a um terço de sua capacidade: são 600 alunos para 1.800 vagas.A Secretaria de Estado da Educação informou, por meio da assessoria de imprensa, que a baixa demanda se deve justamente ao fato de a escola estar situada em uma região de classe média, concorrendo com colégios particulares. Mas nega a intenção de fechá-la, já que é classificada entre as melhores do Estado, conforme o desempenho no Saresp, a avaliação oficial da rede estadual.Esse argumento não convence quem está lutando pela escola. "Todo fim de ano, desde 1995, surge a ameaça. Queremos evitar que a escola acabe, agora que a recuperamos", afirma a secretária da Associação da Pais e Mestres da escola, Elisa Toneto. Ativista em prol da escola pública de longa data, Elisa se engajou na luta porque seu filho é aluno da 1ª série do ensino médio do Alves Cruz.Com base em sua experiência, ela garante que a escola se desorganizou porque houve muitas mudanças de comando da escola. "Nenhum diretor parava aqui", afirma Elisa.Ela se juntou a ex-alunos e ex-professores, que fundaram uma ong, chamada projeto Fênix. Juntos, eles fiscalizaram a reforma do prédio e realizam uma série de atividades extracurriculares. São oficinas de história em quadrinhos, de percussão, de violão clássico, de RPG, entre outras."A escola pública é um espaço no qual o jovem deve ter seu espaço garantido para se manifestar. Deve também ser um laboratório de cidadania, onde o adolescente exerce seus direitos e deveres", explica Zyun Masuda, médico e um dos idealizadores da ONG.Mas a ação do grupo vai além das atividades socioculturais e da recuperação da infra-estrutura: eles querem atrair mais alunos para a Alves Cruz e para isso estão até distribuindo panfletos em padarias, estações de metrô e onde mais houver espaço.

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