Comunidades em alerta contra ladrões

Arrastões têm mobilizado Consegs

Camilla Haddad, SÃO PAULO, O Estadao de S.Paulo

13 de março de 2009 | 00h00

A onda de arrastões em prédios de classe média de São Paulo provocou mobilização dos Conselhos Comunitários de Segurança (Consegs). Com medo de novos ataques das quadrilhas, presidentes das entidades têm organizado reuniões extras, entregado cartilhas de segurança aos moradores e funcionários e já treinam grupos de porteiros em batalhões da Polícia Militar.Desde janeiro, foram registrados sete casos de arrastão na cidade. Os mais recentes aconteceram no último fim de semana, no Paraíso, zona sul, e no Brás, no centro.Por isso, aumentar o número de porteiros treinados é uma das metas de Sérgio Lucon, presidente do Conseg Monções, na região do 96º Distrito Policial (Brooklin), zona sul. "É muito fácil entrar num condomínio. É preciso uma conscientização para minimizar isso." Segundo Lucon, no fim do ano passado, grupos de porteiros foram treinados no 12º Batalhão (Aeroporto). "Mas tem síndico que prefere não mandar para não ter a falta do funcionário no prédio", lamenta. O comandante do batalhão da área, Vitor Ivo Fett, confirma os treinos. "Se o Conseg pedir estamos com tudo pronto. São palestras, filme e ilustrações", diz. Nos Jardins, onde um prédio foi alvo de ladrões neste ano, a presidente do Conseg, Maria Thereza Cabral, diz que já ganhou até prêmio por treinamento de porteiros. "Pretendemos fazer um novo curso."O presidente do Conseg do Paraíso, Douglas Melhem Filho, afirma que empresa responsável pela segurança do prédio onde mora foi chamada para fazer um "aprimoramento" nos equipamentos, como câmeras de vigilância. Pedidos como esse têm sido comuns em outros edifícios do bairro. Segundo Melhem Filho, outra política adotada na região é manter um sistema interativo, com conversas diárias com a Polícia Civil para cobrar a prisão de suspeitos - no dia do crime, dois assaltantes fugiram. O presidente lembra que os moradores agem como guardiães e são fundamentais na educação de porteiros. "No meu prédio, se aparecer um fiscal da receita federal, mesmo com crachá, não entra", garante. "Isso é resultado do trabalho dos moradores com funcionários."José Luis Bráz Leme, presidente do Conseg Consolação, conta que os síndicos serão orientados com mais frequência. "Infelizmente, as pessoas se tornam desatentas."No chamado trabalho de formiguinha no Conseg Lapa, a presidente, Maria Vargas, tem um "programa de segurança condominial". Ela distribui cartilhas com dicas aos moradores. Ainda neste ano, quer reeditar o encarte com orientações contra invasões. "É preciso adaptar a cartilha para nossa realidade." Também está nos planos de Maria convocar moradores para um café. "As pessoas em prédio precisam trocar informações. Depois, acontece algo e a culpa é sempre do porteiro", rebate.

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