Concessão da Nova Luz é aprovada na Câmara

Apenas 6 dias depois de receber projeto, vereadores passam texto em primeira votação

DIEGO ZANCHETTA, O Estadao de S.Paulo

02 de abril de 2009 | 00h00

Seis dias após receber o texto substitutivo para a concessão da Nova Luz, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou ontem, em primeira discussão, o projeto considerado a maior vitrine da segunda gestão do prefeito Gilberto Kassab (DEM). Num único dia, o texto passou por duas comissões e foi votado, no início da noite, após a realização de duas sessões extraordinárias. Por quatro horas, a bancada do PT tentou obstruir a votação, mas os governistas conseguiram 40 votos favoráveis, ante seis contrários.A rapidez ocorreu após o governo costurar acordos com as principais lideranças do "centrão". Como contrapartida, vereadores querem propor mudanças no projeto por meio de emendas. Os parlamentares também colocarão em pauta projetos pessoais. Até o final de abril, o governo quer votar em segunda e definitiva discussão a concessão de bairros, o Nova Luz, e o projeto de incentivos fiscais para os futuros concessionários. Vereadores do centrão devem agora aumentar a pressão por cargos, principalmente nas subprefeituras.O líder de governo, José Police Neto (PSDB), disse que não existe acordo com a composição de cargos. "Os acordos de líderes são somente para a votação de projetos, com a possibilidade de apresentação de emendas." Ele declarou que vai trabalhar para votar os projetos prioritários do governo. Às 20h04, porém, quando fazia o encaminhamento, o segundo secretário da mesa diretora, vereador Milton Leite (DEM), falou em cargos. "Eu conclamo a base de sustentação do prefeito Gilberto Kassab a votar a favor do projeto", disse Leite. "Pode deixar, nem precisa pedir que vamos votar", disse Dalton Silvano (PSDB), da plateia. Leite, da tribuna, disse: "Com os cargos que têm, vocês são obrigados." Leite disse que fez apenas uma indicação a Silvano. "Perguntei só se ele tinha cargos no governo, e, por isso, seria sua obrigação. Mas não sei se ele tem cargos." Procurado, Silvano não foi localizado.TENSÃOA oposição tinha o objetivo de barrar o texto da Nova Luz. As sessões de ontem foram marcadas por embates entre governistas e petistas. Após uma obstrução do PT por volta das 19 horas, o vereador Carlos Apolinário (DEM) disse que o governo romperia com todos os acordos para a votação de projetos da oposição. Após a ameaça, os petistas ainda tentaram adiar a votação, por volta das 20 horas. "Ninguém sabe qual é a concepção urbanística. Ninguém sabe se vai ter garagem subterrânea, se terão habitações de interesse social, se vai ter lazer. É uma carta em branco ao concessionário", disse o líder do PT, João Antonio.MUDANÇASO novo texto da Nova Luz enviado por Kassab tem parecer que recomenda a exclusão do perímetro da Santa Ifigênia. Cerca de 750 imóveis serão desapropriados na intervenção, cuja previsão é receber R$ 2 bilhões de investimentos, com a criação de 25 mil empregos. O texto anterior já havia sido votado em primeira discussão, com a concessão urbanística. Os projetos acabaram desmembrados e Kassab optou por mandar um novo projeto de revitalização do centro. Normalmente, um projeto do Executivo polêmico como a Nova Luz nunca vai à votação antes de dois meses de debates.

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