Concluído, novo prédio do IML segue sem ''recheio''

Promessa do governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) desde o início da gestão, o novo prédio do Instituto Médico-Legal (IML) do Rio está pronto há oito meses, mas continua fechado. Já foram gastos R$ 15 milhões dos R$ 21 milhões previstos para a obra e as salas que deveriam funcionar como laboratórios continuam vazias. O delegado Walter Barros, diretor do Departamento de Polícia Técnico-Científica, reconhece que falta o "recheio".A inauguração já foi adiada duas vezes. Agora, Cabral diz que o "maior e mais moderno IML da América Latina" será aberto em junho. Ele atribui o atraso a um "problema na instalação de equipamentos". No entanto, os cerca de cem equipamentos previstos para os cinco laboratórios nem sequer foram comprados - oficialmente, não houve interessados na licitação.Parte do prédio atual do IML foi interditada em 2007, após vistoria em que o secretário de Saúde, Sérgio Cortes, definiu o local como "casa dos horrores". "Essa história de que não houve interessados na licitação é desculpa, porque a obra foi declarada de emergência e não houve licitação", argumenta Elcio Costa, presidente da Associação dos Peritos. O sindicalista critica a falta de autonomia - o setor está subordinado à Polícia Civil. "A polícia aqui não é de investigação, é de confronto." O Rio tem 350 legistas e 270 peritos criminais, com salário inicial de R$ 3 mil.A situação do IML ficou mais complicada há um mês, quando o diretor Jefferson Oliveira pediu exoneração. "Estou saindo por discordar de meu chefe imediato (Barros) sobre a forma de conduzir alguns processos", diz. Segundo ele, a decisão não tem a ver com o atraso na inauguração. Oliveira conta que há um ano, quando assumiu o IML, descobriu que havia 4,5 mil laudos atrasados, alguns com 23 anos e ainda sem conclusão. "Em caso de homicídio, o crime estava prescrito. O mais novinho estava parado havia dois anos e nós liberamos os laudos." Ele critica o uso de tecnologias obsoletas e afirma que o novo prédio é exemplo de que há vontade política para resolver o problema, mas avalia que "o Estado estava despreparado".Barros não arrisca uma nova previsão para o IML e nega que a elucidação de crimes seja mais baixa no Rio. "Tivemos 35 mil inquéritos relatados com autoria (ao Ministério Público) em 2008, e a meta para este ano é passar de 40 mil. Para saber a real taxa de elucidação, temos de ver no Judiciário os crimes denunciados e com condenação. Nenhum Estado sabe isso." Na sexta, o delegado Gilberto Ribeiro foi exonerado da Chefia de Polícia Civil, por divergências com o secretário da Segurança. Um dos motivos seria o atraso do IML.

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