Condenados à perpétua serão transferidos

Acusados nos EUA por sequestro de compatriotas, Oliveira Junior e Eid Júnior seguirão para presídio estadual de segurança máxima

Cláudio Dias, O Estadao de S.Paulo

24 de março de 2009 | 00h00

Condenados à prisão perpétua nos Estados Unidos no dia 6, Alaor do Carmo de Oliveira Junior, de 55 anos, e Reynaldo Eid Júnior, de 49, serão transferidos em duas semanas da prisão no Condado de Orange, na Califórnia, para um centro de triagem e, depois, para um dos outros 33 presídios estaduais americanos. Considerados perigosos, eles serão enviados para uma unidade de segurança máxima. A transferência foi avisada aos familiares em Borborema, interior de São Paulo, por meio de uma carta. Júlio Victor do Espírito Santo, cônsul-geral adjunto do Consulado em Los Angeles, confirma a transferência e avisa que um advogado que presta consultoria para o Consulado vai acompanhar o caso. A cabeleireira Mary Aparecida de Souza Oliveira, de 49 anos, mulher de Oliveira Junior, acredita que o marido está esperançoso. Na carta enviada a ela, o brasileiro diz que a luta não terminou e diz que será transferido de prisão. Ele deve ir inicialmente para uma unidade prisional classificada pelos americanos como "recepção". Lá, passará por exames médicos, físicos, mental e intelectual para se encaixar em programas de reabilitação. Depois,vai para uma prisão estadual. "Vou ficar no nível máximo, com dois presos por cela e sem contato com ninguém", descreve o brasileiro na carta. Oliveira Junior define a condenação na Corte de Santa?Ana como "terrível": "Imaginávamos uma coisa e aconteceu outra." Enquanto é transferido, ele aguarda os advogados de defesa apelarem na Suprema Corte. Ainda na carta, avisa que ficará meses sem poder se comunicar. Ele parabeniza a mulher e os filhos pelos aniversários, em maio. "A gente tenta ser forte, mas eu não aguento mais. Estamos implorando por ajuda", desabafa a mulher. Os brasileiros foram presos em 24 de novembro de 2005, acusados de sequestrar uma mulher e o filho. As vítimas, também brasileiras, alegam terem sido feitas reféns pelos compatriotas, que seriam coiotes. Eles negam. Oliveira Junior estava nos Estados Unidos desde 2000 trabalhando como carpinteiro. Eid Junior era dono da empresa de transporte que levava a mulher e o filho.

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