Condenados agressores de doméstica no Rio

Cinco jovens de classe média receberam penas de até 7 anos

Felipe Werneck, O Estadao de S.Paulo

02 de fevereiro de 2008 | 00h00

Os cinco jovens de classe média acusados de roubar e espancar uma doméstica em junho de 2007 na Barra da Tijuca, zona oeste, foram condenados pela Justiça do Rio. A decisão, de primeira instância, estabeleceu penas diferenciadas, em regime fechado e semi-aberto, que variam de 6 a 7 anos e 4 meses de prisão, além do pagamento de multa. Interrogados em juízo, os réus alegaram que sua intenção era "só zoar putas".Na sentença, divulgada ontem mas definida na véspera, o juiz Jorge Luiz Le Cocq D?Oliveira, da 38ª Vara Criminal do Rio, afirma que houve violência brutal, preconceito e crença na impunidade por parte dos réus. Condenados pelo delito de roubo com concurso de pessoas, os cinco jovens podem recorrer.Sirlei Dias de Carvalho Pinto foi agredida em um ponto de ônibus na madrugada de 23 de junho. Não houve condenação por lesão corporal, porque, segundo o juiz, exames periciais realizados pela vítima na época do crime apresentaram resultados distintos e, por isso, foram considerados "inconclusivos"."Não se discute que Sirlei sofreu uma violência brutal, covarde, injustificável. Entretanto, a classificação da lesão corporal cinge-se a critérios legais e técnicos, não bastando a convicção íntima do julgador. Para fins de jurisdição penal, a prova quanto à gravidade da lesão mostrou-se duvidosa e a dúvida se resolve em favor dos réus", escreveu.O grupo de jovens, que chegava de uma festa, foi acusado de dar socos e pontapés na doméstica e de roubar sua bolsa. "Os réus estavam bêbados, em alta madrugada, e o dinheiro dava para um lanche, mais uma bebida energética ou algo mais forte. Devem, pois, responder pelo delito que efetivamente praticaram - o roubo", afirmou o juiz na sentença.Rodrigo dos Santos Bassalo da Silva, que já tinha antecedente criminal (roubo com emprego de arma de fogo), recebeu a maior pena: 7 anos e 4 meses de reclusão. Leonardo Pereira de Andrade e Julio Junqueira Ferreira foram condenados a 6 anos e 8 meses de reclusão em regime semi-aberto. Felippe de Macedo Nery Netto e Rubens Pereira Arruda Bruno foram condenados a 6 anos de prisão em regime semi-aberto.Samantha Vacite, advogada de Felippe, de 21 anos - único que estava solto, graças a habeas-corpus obtido no Superior Tribunal de Justiça -, disse que todos vão recorrer. "Eles pararam para zoar prostitutas. Não sabiam que ela era empregada. Estavam tomados (alcoolizados)."

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