Condômino chega a pagar R$ 15 mil por mês em SP

Metragem do apartamento e gastos com pessoal influenciam valor, como no caso de prédio na zona sul

Bruno Paes Manso e Valéria França, O Estadao de S.Paulo

30 Agosto 2008 | 00h00

Cidade com o maior número de edifícios residenciais, São Paulo também é recordista nas variações de taxas condominiais. E quem sai procurando um apartamento para morar na cidade encontra preços díspares, que variam em média de R$ 200 a R$ 15 mil, dependendo do tamanho e do padrão do imóvel. Em São Paulo, há edifícios para todos os tipos de bolso e de morador. Encontram-se prédios antigos, com porteiro eletrônico e um zelador - que mora no prédio e ainda ganha um extra pela faxina -, e grandes condomínios, cercados de vigilantes vestidos de preto. "O número de unidades do edifício determina o valor final do rateio dos custos mensais", diz Daniel Gebara, diretor do Grupo Hubert, uma das grandes administradoras da cidade. "Quanto maior o número de unidades, menor a fração que caberá a cada um pagar." Edifícios de alto padrão têm poucas unidades, em geral cada torre abriga um apartamento por andar. "Se tiver 20 andares, o morador paga em média de R$ 4 mil a R$ 5 mil de condomínio", calcula Gebara. O gasto com o pessoal é o mais pesado, representando em média mais da metade dos custos, 54%. A preocupação com a segurança implica remunerações mais altas. O salário médio de um vigilante é R$ 850, e o de um porteiro, R$ 537. "Um prédio novo, com cabine de segurança blindada, entrada social e uma de garagem, precisa de, no mínimo, quatro vigilantes. Um deles trabalha como folguista, para que haja segurança 24 horas." SERVIÇOS DIFERENCIADOS De cada dez edifícios paulistanos, apenas dois têm quatro dormitórios e figuram entre os de alto padrão. E mesmo entre esses há diferenças. A mais visível tem a ver com a metragem. Um imóvel de quatro dormitórios pode ter ambientes com espaços generosos, chegando a uma área total de 1 mil metros quadrados, ou seguir um padrão econômico, com 150 metros quadrados. A taxa condominial varia de acordo com o tamanho do apartamento. Mas são os serviços exigidos pelos moradores que de fato justificam altas taxas, que chegam a equivaler a seis carros populares por ano. "Há prédios que funcionam com segurança armada", diz Roberto Piernikarz, de 27 anos, diretor comercial da BBZ, que administra 40 empreendimentos residenciais de luxo. "Um deles emprega 24 vigilantes. O condomínio não quer funcionários terceirizados, o que aumenta a segurança e os custos." CONCIÈRGE Num edifício da zona sul, com 24 andares, antes de os funcionários serem contratados, eles são obrigados a levar a família para uma entrevista, que também passa por uma espécie de "pente-fino", com o objetivo de evitar problemas futuros. O condomínio funciona como um clube fechado, e quem quiser comprar um apartamento ali terá de passar pela aprovação de todos os moradores - entre eles políticos, escritores e empresários. Um bicheiro tentou comprar ali, e não conseguiu. O prédio tem uma conta bancária própria, com um fundo de R$ 500 mil reais. "Outro dia, uma senhora quis um equipamento de ginástica passiva, desenhado pela Nasa", diz Piernikarz. Custava US$ 12 mil. "O condomínio comprou." O salão de festas do prédio, que raramente é usado, tem quadros de Ruy Ohtake. Os apartamentos variam de 700 metros quadrados a 1,5 mil metros quadrados, e o valor do condomínio, de R$ 8 mil a R$ 15 mil, respectivamente. No lugar de um zelador, que ganha em média R$ 1,5 mil, há um concièrge, com um salário de R$ 4,5 mil, que faz as vezes do mordomo de uma casa. É ele quem providencia, por exemplo, o táxi - nem que seja às 5 horas -, o conserto de qualquer peça quebrada dos apartamentos e ainda dá uma forcinha na academia para os marmanjos levantarem os pesos no supino. Ele é o senhor dos mimos. E isso tem seu preço. "A taxa condominial pode ser alta, mas oferece serviços muito diferenciados, atendendo com perfeição às necessidades do moradores. O preço cobrado, então, é justo", diz Roberto Graiche, diretor da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios em São Paulo (AABIC). Um jeito de avaliar se realmente o condomínio custa muito aos moradores é analisar as porcentagens que os gastos representam por setor. "A despesa com o pessoal não pode ultrapassar 55%, com água e luz, 16%, e com contratos de manutenção, 10%. Quando os valores vão além desses limites (veja quadro) é sinal de que o prédio é mal administrado, e o dinheiro vai pelo ralo. "Esse, sim, é um condomínio caro."

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