Condutor de barco que naufragou no AM vai a júri popular

Esta é a primeira vez que comandante de embarcação será julgado no País; 48 morreram no acidente

Liège Albuquerque, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2009 | 17h40

O condutor do barco Comandante Sales, que naufragou superlotado no dia 4 de maio do ano passado no Rio Solimões, causando a morte de 48 passageiros, vai a júri popular no dia 15 de abril. Luis Sales da Silva, de 43 anos, será o primeiro comandante responsabilizado por um acidente a ser julgado dessa forma no País. O mesmo não aconteceu em casos rumorosos em outros Estados, como o naufrágio do Bateau Mouche, no Rio, há 20 anos. A embarcação tinha mais de 100 passageiros e 55 morreram. Até hoje as ações indenizatórias se arrastam pelos tribunais.

 

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Este tipo de julgamento não é incomum em casos em que acidentes de carro, em que o motorista é acusado de homicídio. "Pode-se argumentar que não há fiscalização nos portos, que seria papel do governo do Estado. E que é insuficiente a fiscalização nos rios, feita pela Capitania dos Portos. Mas o fato é que o condutor do barco estava trabalhando alcoolizado e em um barco com diversas irregularidades", defende o juiz Luis Cláudio Chaves.

 

O julgamento vai acontecer em Manacapuru, a 60 quilômetros de Manaus, onde ocorreu o acidente. Sete moradores da cidade foram sorteados para compor o júri. O comandante da embarcação teve sua prisão preventiva decretada dez dias após o acidente, mas responde ao processo em liberdade por ser réu primário.

 

A embarcação, com capacidade para 80 pessoas, tinha mais de 100 passageiros no dia do acidente. Entre os mortos, estava Francisco Sales da Silva, irmão de Luis e dono do barco. Francisco era oficialmente o condutor da embarcação e Luis não tinha licença para navegar.

 

Em depoimento após o acidente, Luis afirmou que teria bebido "duas latinhas de cerveja" enquanto comandava o barco. Segundo a Capitania dos Portos da Amazônia, a embarcação Comandante Sales sem licença para navegação e com menos de 30 coletes salva-vidas. O barco já havia sido apreendido anteriormente por não ter licença, mas foi liberado após pagamento de multa.

 

(Com Mariângela Gallucci)

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