Confira o acordo entre o governo e os controladores

Depois de revogar uma ordem de prisão inicial contra os controladores de vôo amotinados no Cindacta-1 de Brasília, o governo negociou e cedeu diante dos principais pontos reivindicados pela categoria. A queda-de-braço entre as autoridades aéreas e os controladores de vôo já dura meses e teve seu ponto culminante no fim da tarde da sexta-feira, 30, quando eles radicalizaram e decidiram paralisar as operações em todo o País por quase cinco horas, a partir das 18h45. O motim causou o fechamento de 40 aeroportos no fim da noite e o cancelamento de 229 vôos. Multidões esperavam nas filas de embarque, situação que perdurou na manhã deste sábado, 31, com previsão de normalização somente na terça-feira. "Hoje temos atrasos que variam de 28 horas a 20 minutos", disse o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira.O caos nos aeroportos levou à uma decisão do Palácio de Planalto de fechar um acordo, na noite de sexta-feira, para a desmilitarização do controle de tráfego aéreo. A atitude levou a um desgaste da imagem do comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, dentro das Forças Armadas, por ter sido desautorizado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sua decisão inicial de mandar prender os controladores amotinados no Cindacta-1, em Brasília. O presidente voava para Washington, para um encontro com o presidente norte-americano George W. Bush, quando teve início o movimento grevista. A rebelião dos controladores começou na troca de turno, no fim da manhã de sexta, e se estendeu até a madrugada. O momento de maior tensão foi quando o comandante do Cindacta-1, brigadeiro Carlos Aquino, convocou os quatro controladores mais antigos para dar a eles voz de prisão, no início da tarde. Um segundo sargento levantou a voz e deu início ao motim, anunciando que então teria que prender a todos. O pessoal do turno matutino declarou-se aquartelado e em greve de fome. O pessoal da tarde aderiu ao movimento, que, aos poucos, espalhou-se por todo o País. Pelo menos 120 dos 200 controladores de Brasília cruzaram os braços. Confira a negociação ponto a ponto.1. Anistia - O governo fará a revisão dos atos disciplinares militares, como transferências, afastamentos e outros, envolvendo representantes de associações de controladores, ocorridos nos últimos seis meses. Assegura também que não haverá punições em decorrência da manifestação de sexta-feira.2. Desmilitarização - Início, no dia 3 de abril, da implantação gradual de uma solução civil para o controle de tráfego aéreo e abertura de um canal permanente de negociações com representantes da categoria, inclusive de controladores militares, para o aprimoramento do setor.3. Gratificação emergencial de transição - Abertura, no dia 3 de abril, de um canal de negociação sobre remuneração dos controladores civis e militares e criação de um plano de carreira para os profissionais civis.

Agencia Estado,

31 de março de 2007 | 13h18

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