Confirmada morte de menino atingido por disparo da PM no Rio

Pela legislação, deve-se repetir exames para confirmar morte; família diz que vai doar orgãos de João Roberto

Fabiana Cimieri, O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2008 | 18h17

O Hospital Copa D’Or confirmou a morte do menino João Roberto Amorim Soares, de 3 anos,  que no domingo foi atingido na cabeça por disparos feitos por policiais militares que perseguiam um carro na Tijuca, zona norte do Rio. Na manhã desta segunda-feira, 7, os exames já diagnosticavam morte cerebral, mas pela sua pouca idade, a legislação determina que nova bateria de exames seja realizada seis horas depois para confirmar o óbito. A família autorizou a doação de órgãos do garoto, caso seja possível. O parecer será dado por uma equipe do Rio Transplante.   Veja também: Determinada prisão de PMs suspeitos de atingir garoto no Rio Beltrame: não há motivo para vários tiros em caso João Roberto Médicos confirmam morte cerebral de garoto atingido pela PM   Segundo o pai de João, Paulo Roberto Amaral, sua mulher Alessandra voltava de uma festa infantil com os dois filhos do casal no carro. Além de João, estava no veículo o bebê Vinícius, de 8 meses, que nada sofreu. Quando estava na esquina de casa, a mãe viu que um carro passou em alta velocidade e que ele estava sendo perseguido pela polícia. Ela encostou o carro para os policiais passarem, mas eles a teriam confundido com os bandidos e disparado contra o veículo   Dois clínicos e um neurologista do hospital fizeram um eletroencefalograma, que indicou não haver mais atividade elétrica no cérebro de João, e um Doppler transcraniano, que constatou que não havia mais fluxo sanguíneo para as artérias cerebrais do garoto.   De acordo com o chefe da pediatria do Copa D'Or, Arnaldo Prata, o menino deu entrada no hospital por volta das 3 horas de segunda-feira, transferido do Hospital do Andaraí. "Ele chegou em estado grave, com sinais sugestivos de morte encefálica (em coma profundo, sem reflexos, e com as pupilas fixas e dilatadas)". Ao ser transportado para o setor de tomografia, João Roberto teve uma parada cardíaca, revertida após 25 minutos de tentativas de ressuscitação. No Hospital do Andaraí, para onde havia sido levado inicialmente, o menino havia passado por uma neurocirurgia para drenar o sangue no cérebro.   A bala que provocou a morte do menino entrou pela nuca, teve trajetória levemente ascendente, se fragmentando no interior do cérebro e se alojando próximo à região frontal. Além deste projétil, João Roberto também foi atingido sem gravidade na nádega esquerda e de raspão na orelha.   A mãe do menino, Alessandra Amorim Soares, de 35 anos, foi atendida na emergência do Copa D'Or com pequenas lesões provocadas por estilhaços nas costas, coxa e perna. Já foi liberada. O bebê Vinícius, de 9 meses, que estava no carro, nada sofreu. Enquanto os pais estavam no hospital ao lado do filho mais velho, ele passou o dia sendo cuidado por amigos da família.   "João era um menino normal, alegre, que estava ansioso pela sua festa do Homem-Aranha e da Mulher Maravilha", lembrou o gerente de laboratório Carlos André Gonçalves, amigo do casal. Como o pai, ele era tricolor e tinha ido ao Maracanã, na última quarta-feira, assistir à final da Taça Libertadores.   A mãe e o padrasto do estudante Daniel Duque, morto por um policial militar, chegaram ao Copa D'Or no início da noite para prestar solidariedade aos pais de João Roberto. Eles não falaram com a imprensa.   Atualizado às 20h30

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