Conflitos se alastram para estatais e já racham os partidos

A guerra entre os partidos aliados da presidente Dilma Rousseff para controlar os principais cargos do governo federal está suspensa, mas longe da assinatura de paz. Nenhum dos partidos quer abrir mão de cargos que controlam verbas bilionárias e representam aumento do poder de barganha política, seja com a presidente, seja com outras siglas. Trata-se de uma disputa que, só nas estatais, visa ao controle de 102 empresas, sendo 84 no setor produtivo e 18 no setor financeiro. Destas, 66 produtivas e 7 financeiras dispõem de R$ 107,54 bilhões para investimentos neste ano.

, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2011 | 00h00

Existem ainda órgãos como o Fundo Nacional de Saúde (FNS), com orçamento de R$ 65,28 bilhões, dinheiro que é distribuído em convênios com hospitais espalhados por todo o Brasil, do Sistema Único de Saúde (SUS), a Fundação Nacional de Saúde, com orçamento de R$ 5 bilhões e R$ 1 bilhão para aplicar em saneamento nas pequenas cidades.

Tanto dinheiro assim acende a cobiça dos partidos. Fez até com que o PMDB esquecesse a promessa de que acabaria com a fama de que é um partido fisiológico, que só se preocupa com cargos. Por uns tempos, a legenda tentou vender a ideia de que agora, que é parte do governo, com o vice Michel Temer, só se preocuparia com a governabilidade.

Os cargos ameaçaram partir a base aliada de Dilma e rachar os próprios partidos. O PSB enfrenta uma disputa interna entre os governadores Cid Gomes, do Ceará, e Eduardo Campos, de Pernambuco. Tentam, a todo tempo, dar uma rasteira um no outro.

O PMDB, que até então vinha unido brigando por cargos, agora também corre o risco de uma cisão. A ala cearense quer tomar a diretoria-geral do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) do líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). O governo, que deseja enfraquecer este último, procura dar uma mão aos cearenses. Julga que assim pode anular a força política do líder.

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