Confronto deixa um morto no Complexo do Alemão, no Rio

O coronel José Nepomuceno, comandante do 16.º Batalhão da Polícia Militar, em Olaria, informou que um bandido morreu, dois policiais ficaram feridos, seis armas e drogas foram apreendidas durante a operação no Complexo do Alemão, zona norte do Rio de Janeiro, durante a manhã desta quinta-feira. Segundo Nepomuceno, a polícia apreendeu três quilos de maconha e 200 trouxinhas de crack, na localidade conhecida como Quatro Bocas. Welingthon Rodrigues Tomas, de 20 anos, que segundo o coronel era traficante, morreu no confronto com a polícia. Dois PMs foram feridos por estilhaços. De acordo com Nepomuceno, somente policiais do batalhão de Olaria estão na favela. "Os PMs do 16.º estão sem folga, sem descanso, virados, em solidariedade para realizar a operação", afirmou o comandante. RespostaNa quarta-feira, cinco pessoas que seriam criminosos, segundo a polícia, foram mortas em uma megaoperação no complexo. De acordo com a Secretaria de Estado de Segurança Pública, a operação foi em resposta aos atentados às vésperas do réveillon, que deixaram 19 mortos na cidade.Uma megaoperação, com 250 homens das tropas de elite das Polícias Civil e Militar, teve como alvo o Complexo do Alemão, conjunto de favelas da zona norte, principal reduto do Comando Vermelho, uma das facções que comandaram os atentados. Depois de dez horas de intenso confronto, 14 criminosos foram presos, 1 ficou ferido e 5 foram mortos."A polícia não é mais reativa. A operação foi planejada pelo Serviço de Inteligência e a prova do sucesso é a grande quantidade de drogas e armas, inclusive granadas, apreendidas, e o grande número de marginais presos", afirmou o secretário José Mariano Beltrame. A operação teve início às 5 horas. O Complexo do Alemão foi dividido entre o Batalhão de Operações Especiais da PM (Bope) e a Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil (Core) - 40 homens de cada força.Os criminosos estavam fortemente armados e teve início um intenso confronto. Em alguns momentos, via-se que menos de 50 metros separavam policiais e traficantes. Diante da reação do tráfico, os policiais pediram reforços de outros batalhões e delegacias - mais 170 homens foram mobilizados. A munição ameaçava acabar. Dois policiais civis tiveram de deixar o local do confronto para reabastecer a equipe.Os agentes que não estavam na linha de tiro repassavam munição para os colegas. "Não esperávamos toda aquela reação. Mas em nenhum momento houve risco para as equipes. Foi uma medida preventiva", afirmou o coordenador de Recursos Especiais, Rodrigo Oliveira.ConversasA polícia captou a conversa dos criminosos por rádio. Em alguns momentos, eles ordenavam que comparsas atirassem até contra os repórteres, fotógrafos e cinegrafistas. "Dá neles. Dá na imprensa também". Somente com a chegada dos helicópteros Águia e Fênix os criminosos recuaram.Numa casa na Rua 6, na Favela de Vila Cruzeiro, agentes da Core fizeram a principal prisão: Edgard Alves Andrade, o Doca, principal responsável pelo tráfico de drogas no Complexo do Alemão. Ele estava cercado por nove seguranças. Todos foram presos.A polícia confirmou que cinco pessoas morreram no confronto. Um adolescente ficou ferido e estava internado, sob custódia, no Hospital Municipal Salgado Filho. O Complexo do Alemão permaneceu sob ocupação policial.Os ataques a ônibus, delegacias e postos da PM começaram na madrugada de 29 de dezembro. No caso mais grave, sete pessoas morreram carbonizadas num ônibus da Viação Itapemirim.Esta matéria foi alterada às 14h15 para acréscimo de informações.

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