Confronto entre ambulantes e PM fecha lojas no centro do Rio

Confronto entre vendedores ambulantes e guardas municipais provocou o fechamento de algumas lojas e tumultuou o centro da cidade no início da tarde desta terça-feira. Três camelôs acabaram detidos e um carro da Coordenadoria de Licenciamento e Fiscalização da Prefeitura foi apedrejado. A Polícia Militar teve de intervir para acabar com o tumulto, que terminou com dois guardas e um ambulante levemente feridos.Comerciantes contaram que não houve uma ordem para que as lojas fossem fechadas, mas adotaram a medida para evitar prejuízos durante a confusão. Na Rua Sete de Setembro, uma das principais do centro do Rio, cerca de 30 lojas, entre elas a joalheria H. Stern, tiveram as portas fechadas por cerca de uma hora.Segundo a assessoria de imprensa da Guarda Municipal (GM), o tumulto ocorreu durante uma operação de rotina da Coordenadoria de Licenciamento e Fiscalização para a apreensão de mercadoria irregular. Camelôs contaram, porém, que a ação seria uma represália ao último confronto, ocorrido no dia 24 de setembro, em que quatro guardas acabaram feridos - um deles, José Augusto dos Prazeres, teve 20% do corpo queimado depois que um vendedor ambulante colocou fogo em um carro da GM.Cerca de 50 guardas municipais foram mandados para inibir a manifestação de pelo menos 40 camelôs, que circularam por ruas do centro protestando contra a ação da tropa. A negociação foi intermediada pelo tenente-coronel Sidney Coutinho, comandante do 13.º Batalhão da Polícia Militar, que reforçou o policiamento no local. "Estou aqui para manter a ordem e ser o mediador. Convidei camelôs para montar uma comissão e conversar com o comandante da GM (coronel Carlos Moraes Antunes). Aqui no centro não vai ter pânico nem arrastão", disse Coutinho.O vendedor ambulante Valmor Oscar de Jesus, de 24 anos, afirmou que guardas sem identificação apreendem mercadorias e agridem camelôs. "Eles (os guardas) não se identificam, andam armados e com aparelhos para dar choque na gente. Só queremos trabalhar. Eles estão roubando tudo que é nosso para vender depois. Estamos sendo esculachados como cachorro", declarou. "Somos ex-detentos e não conseguimos empregos, temos que trabalhar na rua. Estamos errados por vender mercadoria ilegal. Por isso, perdemos numa boa. Mas agredir, não", disse Henrique Dos Santos, de 29, que vende cosméticos no Largo da Carioca.

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