Confronto entre GCM e camelôs provoca tumulto na centro de SP

O relógio marcava 16h30. Como sempre, as ruas do Centro de São Paulo estavam movimentadas: o comércio funcionando, pedestres com sacolas de compras, pessoas saindo do trabalho, camelôs vendendo produtos pirateados e fiscais da Prefeitura circulando. Até aí, nada de anormal. Dez minutos depois, o cenário era outro: um guarda civil metropolitano sangrando no rosto; dois ambulantes e um pedestre detidos; a população revoltada; pedras e caixas voando, gás pimenta sendo espirrado, armas em punho e um clima de guerra em plena Rua Sete de Abril, no centro da capital paulista.Segundo pedestres, ambulantes e os próprios guardas civis, uma apreensão de CDs e DVDs piratas foi o estopim da confusão. O tumulto, que durou 20 minutos, começou quando o GCM Edgar Bergamino abordou um vendedor ambulante que vendia CDs e DVDs piratas. Após apreender as mercadorias, o GCM espirrou gás pimenta nos olhos do camelô, o que desencadeou uma briga. O ambulante revidou. Houve troca de socos e os dois saíram feridos.Nesse momento, outros GCMs correram para ajudar o colega. O ambulante foi atirado contra a parede de um edifício e agredido por mais de cinco guardas. A reação da população foi imediata. Os gritos de indignação ecoaram pela Rua Sete de Abril: "Ele só está trabalhando!", "Vai prender ladrão na rua! e "O GCM tá despreparado". A confusão se espalhou pela rua e outros guardas utilizaram gás pimenta contra os pedestres, mesmo naqueles que não tinham nada a ver com a confusão.Escudos, cassetetes, detençõesOs dois feridos foram encaminhados para a Santa Casa, mas o estrago já estava feito. Guardas de um lado, população e ambulantes de outro. Houve muita provocação, demonstrações de desrespeito e força exagerada. Mais três pessoas foram detidas na confusão. Os GCMs pediram reforço e logo a Sete de Abril estava tomada pelos guardas. Eram cerca de 50 homens. Muitos portavam escudos, cassetetes e até armas de fogo.A reportagem ouviu um inspetor da GCM pedindo, através de um radiocomunicador, para que os guardas se dispersassem. Ele próprio admitia que a situação já estava controlada e que todo aquele aparato só servia para irritar a população. Para o inspetor, que não quis se identificar, a ação foi correta e defensiva. "Não houve nenhum tipo de abuso", afirmou. Quando os guardas deixaram a Rua Sete de Abril, os vendedores ambulantes, pedestres e comerciantes continuaram indignados. "Sou um artista. Vendo minha arte. Vem um GCM aqui e diz que meu trabalho é uma porcaria. Com que autoridade ele diz isso?", reclamou Sandoval Santos, que vende pintura em azulejo na rua. "Eu sei que os ´piratas´ estão errados. Mas a mercadoria já estava apreendida quando a pancadaria começou", completou Madalena Fernandes, 64 anos, desempregada.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.