Confrontos entre traficantes deixam 14 mortos no Rio

A guerra entre traficantes de facções rivais no Morro da Mineira, na zona norte do Rio de Janeiro, deixou pelo menos oito pessoas mortas até o começo da tarde desta terça-feira, 17. Em outro confronto, no começo da madrugada, seis pessoas morreram na zona oeste da cidade, totalizando 14 mortos por violência até o começo da tarde desta terça. Sete das vítimas entre o confronto entre traficantes rivais foram encaminhadas ao Hospital Souza Aguiar, no centro do Rio, dentro de um veículo blindado da Polícia Militar conhecido como Caveirão. O tiroteio começou depois que traficantes do Morro da Mangueira e do Morro do Alemão, ligados à facção criminosa Comando Vermelho (CV), invadiram a Mineira, dominada pela rival Amigo dos Amigos (ADA), por volta das 4 horas desta terça-feira, 17. O tiroteio, que durou toda a madrugada, deixou um passageiro de ônibus ferido com um tiro de fuzil e provocou o fechamento de ruas próximas ao local, incluindo o túnel Santa Bárbara, um dos principais acessos entre o centro e a zona sul. Policiais militares continuavam dentro da favela, por volta de 12h30, à procura de outros suspeitos. Foram apreendidas armadas. "Não foi uma operação planejada, foi uma ação que tivemos que intervir porque facções criminosas rivais entraram em conflito, e tivemos que intervir para manter a ordem", disse por telefone uma tenente da PM que pediu para não ser identificada. A polícia chegou somente duas horas depois e sete homens foram presos dentro de um caminhão no Cemitério do Catumbi, localizado em um dos acessos ao morro, onde policiais ainda procuravam cerca de 30 homens do Comando Vermelho. Com os sete detidos foram apreendidos um fuzil, quatro pistolas, morteiros e munição. Velórios e enterros no cemitério foram suspensos e o trânsito na região também foi interrompido. "Sei que são brigas de facções e, como o Morro da Mineira é muito central, imediatamente o batalhão foi acionado, subiu, fez as contenções e agora tenho que ver o que aconteceu", disse no fim da manhã o secretário de Segurança Pública do Estado, José Mariano Beltrame, que participava de visita a um evento voltado ao segmento de defesa. "Eu sei que tem pessoas presas, pessoas mortas", disse o secretário, que não tinha mais detalhes. "Mexe com a vida da cidade, porque a configuração geográfica facilita esses núcleos de violência se instalarem. Se fosse uma cidade como Brasília, isso não aconteceria", acrescentou. Na segunda-feira, os ministros da Defesa, Waldir Pires, e da Justiça, Tarso Genro, e comandantes das três Forças Armadas estiveram reunidos com o governador do Rio, Sérgio Cabral, para debater o uso das Forças Armadas no combate à criminalidade no Estado. O governo federal terá um prazo de 15 dias para responder às solicitações do Estado. Enquanto isso, o Rio receberá o reforço de mais 400 homens da Força Nacional de Segurança entre uma semana e dez dias. Atualmente, cerca de 500 homens da Força estão em ação no Estado. Zona oeste Seis traficantes da Favela do Rebu morreram, no fim da noite de segunda, durante troca de tiros com policiais militares do Batalhão de Bangu (14.º BPM), na zona oeste do Rio de Janeiro. Por volta das 23 horas, eles saíam da comunidade em vários carros para praticar assaltos na região e se depararam com soldados do Grupamento de Ações Táticas (GAT) na Avenida Santa Cruz, que fica próxima ao morro. Os seis homens baleados foram encaminhados ao Hospital Estadual Albert Schweitzer, no bairro do Realengo, mas morreram. Houve intenso tiroteio e, com os homens, os PMs apreenderam quatro pistolas, dois revólveres, três mil papelotes de cocaína e um Honda Fit usado pelo grupo. Os suspeitos teriam recebido os policiais a tiros, o que pode ter dado início ao confronto. Com Reuters Matéria ampliada às 14h52

Agencia Estado,

17 Abril 2007 | 12h58

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