Confrontos na Assembleia cercada deixam 6 feridos na BA

Nesta segunda-feira, por 3 vezes houve tumulto nos entornos do parlamento; segundo grevistas, líderes deixaram o local na madrugada

Tiago Décimo, Agência Estado

06 Fevereiro 2012 | 18h06

Os cerca de 300 policiais militares que acampam na Assembleia Legislativa com os familiares desde a terça-feira, quando teve início a paralisação parcial da PM na Bahia, estão cercados, desde a manhã desta segunda-feira, 6, por cordões de isolamento formados por militares do Exército ao redor do prédio. Até o fim da tarde, houve três pequenos confrontos entre as partes, quando foram lançadas bombas de efeito moral e disparados tiros com balas de borracha.

Seis pessoas, entre elas um cinegrafista da Rede Bandeirantes, que sofreu sangramento nasal depois de uma bomba de efeito moral explodir a menos de dois metros dele, e um fotógrafo da Secretaria de Comunicação do Governo, atingido com uma bala de borracha no braço, ficaram feridos, sem gravidade. Uma mulher grávida de 4 meses passou mal.

O cerco teve início na noite de ontem, com os cortes no fornecimento de energia elétrica e de água para o prédio. Equipes do Exército, em carros e helicópteros, monitoravam a área. Os policiais grevistas, armados, foram divididos em equipes para vigiar a movimentação nos arredores e ficaram de prontidão durante toda a madrugada para uma eventual invasão do Exército no local.

Por volta das 5h, os grevistas afastaram os profissionais de imprensa que estavam no local e iniciaram a movimentação para tentar bloquear o acesso principal ao Centro Administrativo da Bahia (CAB), onde está a Assembleia. A movimentação foi a justificativa para a entrada de 600 integrantes das tropas do Exército no local, por volta das 6h.

O primeiro conflito ocorreu às 7h30, quando um grupo, que tentava levar mantimentos aos amotinados, foi impedido pelas forças federais. Houve revolta por parte do grupo, que dizia ser de familiares dos grevistas. Balas de borracha foram disparados contra o chão - uma delas atingiu o pé de uma pessoa.

Ao longo da manhã, mais militares chegaram ao local - ao fim, havia 1.050 homens do Exército nos arredores da Assembleia. Um grupo de 20 homens do Comando de Operações Táticas da Polícia Federal (PF) também foi ao local, na tentativa de cumprir os 11 mandados de prisão expedidos pela Justiça baiana contra os líderes grevistas que continuam em aberto. Segundo o comando da greve, porém, 9 dos foragidos deixaram a Assembleia ainda na noite de ontem. Eles teriam viajado para o interior durante a madrugada.

Cerca de 500 policiais simpatizantes do movimento grevista também chegaram ao local e foram impedidos de entrar na Assembleia. A chegada de mais PMs paralisados forçou o Exército a fazer um segundo cordão de isolamento em volta do prédio, englobando os novos manifestantes e a imprensa, e a fechar as entradas do CAB.

Usando um carro de som, o principal líder grevista, o presidente da Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra), Marco Prisco, insuflava os grevistas, dentro e fora da Assembleia, a resistir.

Por volta das 9h, um policial amotinado na Assembleia saiu da primeira área de isolamento e tentou retornar. Foi impedido pelas tropas, o que gerou o segundo confronto. O policial foi dominado pelos militares e chegou a ouvir voz de prisão, mas foi liberado depois de uma negociação conduzida pelo deputado estadual Capitão Tadeu, um dos representantes da categoria na Assembleia.

Às 11h30, o confronto mais tenso. Vendo uma brecha no cordão que circulava a Assembleia, do lado direito do prédio, os manifestantes tentaram invadir. As tropas perceberam a movimentação e impediram o acesso.

Os policiais jogaram garrafas de água contra os militares, que responderam com bombas de efeito moral, gás de pimenta e balas de borracha. Três manifestantes, além dos profissionais de imprensa, ficaram feridos. A mulher de um dos amotinados, grávida de 4 meses, passou mal após o confronto e foi socorrida por militares.

Tensão. O clima tenso voltou a se espalhar por Salvador, ao longo do dia. Houve registros de homens atirando a esmo nos bairros de Costa Azul e Boca do Rio, na orla da cidade. Não houve feridos. Um ônibus foi sequestrado por homens armados e encapuzados e atravessado na Avenida Pinto de Aguiar, no bairro de Patamares, também na orla, interrompendo o trânsito na região.

Houve rumores de que os sites do governo foram tirados do ar por hackers durante todo o dia. Segundo o governo do Estado, as páginas ficaram fora do ar por causa de uma queda de energia. A Secretaria de Segurança Pública havia registrado, até as 18 horas, seis homicídios na região metropolitana de Salvador, dois deles na capital, elevando para 94 assassinatos na região desde o início da paralisação dos PMs, na noite de terça-feira.

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