Confuso, Plínio perde fôlego em debate mais importante

Quando tentou provocar adversários, candidato do PSOL usou argumentos[br]equivocados

Flávia Tavares, O Estado de S.Paulo

01 Outubro 2010 | 00h00

Lá em agosto, no primeiro debate entre os presidenciáveis, na TV Bandeirantes, parecia que Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) roubaria a cena e poderia até surpreender nas eleições. Sua ironia e seu espírito de "nada a perder" deram graça a quase todos os encontros entre os candidatos na televisão.

No debate de ontem, no entanto, Plínio não brilhou. Quando tentou provocar os adversários, usou argumentos equivocados. Ao ser questionado por Dilma Rousseff (PT) sobre funcionalismo público, ele acusou o governo Lula de "privatizar" e "terceirizar" os serviços. Deu a deixa para Dilma rebater, dizendo que quem privatizou e terceirizou foi o governo FHC.

Depois, perguntou por que José Serra (PSDB) queria desvincular a aplicação mínima da arrecadação em áreas sociais. Mas essa é uma proposta do governo petista e o tucano deitou e rolou na resposta.

Em nenhum bloco, Plínio optou por perguntar para Marina Silva (PV). Evitou as piadas que o tornaram mais célebre nestas eleições, como quando rotulou a verde de "ecocapitalista" e tachou Serra de "hipocondríaco".

No domingo, Plínio já tinha "caído de produção" durante o debate da TV Record. Perdeu-se no raciocínio, deixou de usar uma réplica por não lembrar que teria a chance de falar mais uma vez. Na noite de ontem, ele também se confundiu em alguns momentos e gastou tempo de uma pergunta procurando anotações.

Quando José Serra lhe perguntou sobre propostas para a construção e a expansão do metrô em grandes cidades, Plínio disparou a falar de hidrovias e rodovias como prioridades de transporte. "O metrô é importante, mas não pode ser só metrô." E deu início ali ao que seria o mantra da noite, sua resposta para quase qualquer pergunta: a auditoria da dívida externa e eventual suspensão de seu pagamento. Ele usou esse argumento para falar de transporte, de saneamento básico, de saúde.

Discurso. O momento mais bizarro de sua participação, porém, foi quando questionou Dilma sobre o fato de ela normalmente não pedir votos para seu partido. A petista surpreendeu com uma saída rápida e bem-humorada: "Bom, eu agradeço, Plínio. Vou aproveitar para falar que sou do Partido dos Trabalhadores." A partir daí, desfilou uma lista de elogios ao PT e aos partidos coligados.

Foi somente no último bloco que Plínio reencontrou seu discurso de candidato de esquerda mais definido. Ao debater com Dilma a questão do déficit habitacional, acusou seu governo de oferecer a "bolsa-empreiteiro". Perguntado por Serra sobre reajustes de alguns setores acima da inflação, voltou a falar dos governos que "servem ao capital" e não ao povo. E, quando quis se diferenciar dos outros três candidatos, não teve medo de perder votos ao dizer firmemente que tem "propostas radicais que ferem os interesses estabelecidos".

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