Congonhas: início de obra na pista principal pode levar 1 ano

O presidente da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), brigadeiro José Carlos Pereira, disse nesta quarta-feira, 14, que a estatal vive um "dilema" sobre o início das obras de reconstrução da pista principal do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, já que caso seja escolhido um modelo de licitação normal, as obras podem começar só daqui a um ano. Duraste audiência pública na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara, o brigadeiro também afirmou que não vê motivos para a instalação da CPI do Apagão Aéreo.Em relação à reforma em Congonhas, Pereira afirmou que o dilema se refere à forma de contratar a empresa para realização da obra. Ele disse que existem três formas: uma licitação normal; a inclusão de um aditivo ao contrato da obra da pista auxiliar de Congonhas, que já está em andamento ou um contrato emergencial, com dispensa de licitação.Pereira ponderou, no entanto, que uma das duas últimas opções só poderá ser escolhida se tiver respaldo político para fazê-lo. "Caso contrário, a estatal terá a fiscalização do Tribunal de Contas da União no seu pé", afirmou. "Pessoalmente sou favorável a uma licitação normal para evitar qualquer controvérsia, mas haverá o prejuízo de atrasar por pelo menos mais um ano a obra na pista principal", disse.Ao final da audiência pública, o presidente da estatal informou aos jornalistas que essa decisão terá que ser tomada "esta semana ou no máximo quarta-feira que vem", dia 21. Segundo Pereira, até meados de abril a Infraero calcula que estarão terminando as obras na pista auxiliar e para não perder tempo é preciso iniciar, o mais rápido possível as obras da pista principal.Pista auxiliarJosé Carlos Pereira disse que a auditoria interna da Infraero busca soluções para problemas apontados pelo Tribunal de Contas da União (TCU), em um relatório preliminar, na contratação das obras da pista auxiliar de Congonhas. O relatório com sugestões para sanar as irregularidades foi divulgado nesta quarta-feira durante a audiência pública, pelo deputado Duarte Nogueira (PSDB-SP).Segundo o documento, assinado pelo ministro do TCU, Benjamin Zymler, a estatal teria privilegiado a técnica em detrimento dos preços e cometido irregularidades na contratação do consórcio de empresas que conduzem a obra da pista auxiliar.Segundo Pereira a Infraero já foi comunicada das sugestões do TCU e os auditores internos já estariam resolvendo os erros apontados "para o futuro", "para que não se repitam nas próximas obras e contratações, já que para o passado, o que foi feito está feito".CPI do ApagãoO presidente da Infraero disse também que não vê motivos para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a chamada crise do apagão aéreo, defendida pelos partidos de oposição, no Congresso Nacional."Só posso falar pela Infraero e lá não vejo nenhum motivo ou necessidade de uma CPI para investigá-la", disse o brigadeiro, acrescentando que a estatal, responsável pela administração de 67 aeroportos no País, tem hoje pelo menos dez órgãos externos que fiscalizam suas ações. Entre eles, o Tribunal de Contas da União e a Controladoria Geral da União (CGU).O brigadeiro citou como exemplo desse acompanhamento externo o fato de há cerca de 30 dias o ministro da Defesa, Waldir Pires, ter determinado o afastamento do diretor financeiro da Infraero, Adenauer Nunes, por estar sendo investigado pela CGU em relação a assinatura de alguns contratos na área de tecnologia. Segundo Pereira essa investigação da CGU ainda não terminou, mas para evitar qualquer acusação, o ministro optou pelo afastamento temporário do executivo.

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