Congonhas não pode mais operar em dias de chuva, diz Jobim

À CPI da Câmara, ministro da Defesa diz que Conac vai comandar o setor aéreo e que segurança é prioridade

28 Agosto 2007 | 10h59

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, voltou a afirmar nesta terça-feira, 28, que a pista principal do Aeroporto de Congonhas não pode mais operar em dias de chuva, na Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga as causas da crise aérea no País. Em depoimento à CPI do Senado, Jobim já havia afirmado a restrição. Segundo ele, o aeroporto da zona sul de São Paulo também não poderá mais ser um centro de distribuição de võos para todo o País. "De acordo com o Conac, vamos reduzir a capacidade de Congonhas para 561 (vôos diários). Logo temos que estabelecer redução para 151 vôos. Proíbe-se de que seja centro de distribuição", afirmou o ministro aos deputados, dizendo que, agora, Congonhas vai receber vôos que tenham, no máximo, duas horas de duração.   Veja também: Congonhas terá 'atolamento' e tela de retenção Jobim reconhece que é difícil encontrar gente para Anac Após Denise Abreu, outro diretor da Anac pede demissão Jobim critica política de baixo custo das empresas aéreas Tudo sobre a crise aérea  Especial sobre a crise aérea    O depoimento de Jobim começou por volta das 10h30 desta terça-feira, 28. A sessão atrasou por conta da renúncia de Jorge Brito Velozo, que era diretor de segurança operacional, investigação e prevenção de acidentes aéreos da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). No começo de seu depoimento, Jobim salientou que o setor aéreo será comandando pelo Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac), que vai reformular a política da área. Além disso, Jobim afirmou que a segurança dos passageiros continua sendo o foco principal de sua gestão.    "Temos dois caminhos. As necessidades de segurança que não podemos abrir mão de forma alguma e temos que analisar a linha de rentabilidade. Podemos desenhar uma malha aérea e não termos quem a explore",  afirmou Jobim. Para o ministro, a diminuição do movimento "é necessária", embora ela possa causar "dificuldades não só para o entorno de Congonhas, como o comércio que se desestruturou como também as normas internas (do aeroporto)".   Redistribuição de vôos   Jobim falou sobre os planos para os aeroportos do País e afirmou que "em Viracopos, teríamos condições de acessar o aeroporto através de uma via expressa. Mas o problema é quando entra em são Paulo. Já em Confins, (o governador) Aécio resolveu o problema com a linha verde." Além disso, afirmou que "em Brasília, o problema é o terminal. Nos momentos de pico há concentração e há confusão imensa quando aumenta o número de atrasos. Em Curitiba não temos problemas de terminas e sim ociosidade."   "Em Congonhas, desconcentraríamos a distribuição e teríamos Brasília distribuindo para a região Centro-Oeste e Norte. Confins ficaria com a região Nordeste. Galeão ficaria com rotas internacionais e poderia acessar a região nordeste. É certo que saindo da região sul para acessar a região norte não passaria por Congonhas, passaria por outros aeroportos. Já o santos Dumont continuaria com a ponte aérea", disse. O ministro da Defesa afirmou ainda que o Aeroporto Internacional de São Paulo (Cumbica), em Guarulhos, tem dificuldades, já que "as duas pistas são próximas e não podem operar simultaneamente". Com isso, afirmou que é preciso " pensar na construção de uma terceira pista ou um terceiro terminal."   Conac   Segundo o ministro da Defesa, a secretaria-executiva do Conselho da Aviação Civil (Conac), órgão ainda a ser criado, terá a responsabilidade de cobrar dos três órgãos envolvidos na aviação civil a execução de uma política conjunta para o setor aéreo. Segundo o ministro, a criação da secretaria, que irá funcionar no Ministério da Defesa, deverá ser formalizada "logo".   Conforme suas informações, a secretaria irá funcionar com três departamentos: infra-estrutura aeroportuária, regulação e fiscalização, e tráfego aéreo. "O importante é que o comando em relação aviação civil desse setor tem que vir do Conac e ser executado pelos demais órgãos relacionados", disse.   De acordo com Jobim, a criação da secretaria e modificações nos cargos são de curto prazo. Ele informou que, a médio prazo, quer uma reformulação completa do setor. O ministro voltou a informar que não vai discutir no momento a desmilitarização dos órgãos do setor aéreo porque sua preocupação é com o funcionamento. Para o ministro, esta é uma discussão teórica.   Texto alterado às 15h06 para acréscimo de informações

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