Congonhas não voltará a ser como era antes

Mesmo após alta temporada, Decea diz que restrições serão mantidas

Bruno Tavares, O Estadao de S.Paulo

02 de dezembro de 2007 | 00h00

O Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, não voltará a ser como antes, pelo menos no que depender do Comando da Aeronáutica. Ao contrário do que divulgou a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) há duas semanas, o terminal paulistano deverá continuar fechando às 22h30, mesmo após o período de alta temporada - atualmente, as operações podem ocorrer até as 23 horas. O número de movimentos (pousos e decolagens) também será mantido em 32 por hora - 30 para a aviação regular e 2 para a aviação geral (táxis aéreos e jatos executivos).Desde o acidente com o Airbus da TAM, que deixou 199 mortos em 17 julho, as pistas de Congonhas foram encurtadas por motivos de segurança. Isso fez 95% do volume diário de operações ser deslocado para a pista principal. "Para que a gente pudesse aumentar a capacidade, teríamos de ter 20% das operações na pista auxiliar e o restante na principal", diz o diretor-geral do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), major-brigadeiro Ramon Borges Cardoso. Outro item que influenciou na mudança, segundo ele, foi a determinação para que as empresas calculassem o peso de seus aviões como se estivessem operando com pista molhada."O que estava ocorrendo era que todas as companhias faziam o cálculo para pista seca. Aí começava a chover e elas não podiam pousar ou decolar", diz o militar. "Só que, nesses casos, os aviões ficavam lá ocupando espaço no pátio e não podíamos operar porque as posições já estavam lotadas." Os oficiais da Aeronáutica entendem que essa restrição permitirá que o fluxo do aeroporto não seja interrompido em função de chuvas ocasionais.O brigadeiro admite que a capacidade da pista principal do aeroporto de Congonhas é de 35 operações por hora. "Nós tiramos 10% porque não dá para raciocinar com 100% de eficiência. É preciso ter margem para acomodar eventuais problemas", argumenta o brigadeiro. Mesmo com a permissão para que a aviação geral solicite autorizações de pouso ou decolagem (slots) fora do horários de pico, o militar reconhece que o setor precisaria de um total de seis slots para operar com mais folga.BATE-BOCAA revisão do horário de funcionamento do aeroporto é mais recente e teve como estopim um bate-boca entre um piloto da TAM e uma controladora de vôo de Congonhas. A discussão teve início depois que a militar negou um pedido de decolagem, por entender que o vôo aconteceria antes do horário máximo permitido. Segundo o diretor do Decea, ordem judicial prevê multa de R$ 50 mil ao controlador que liberar pousos ou decolagens antes das 6 horas ou após as 23 horas. "Com essas alterações, qualquer atraso será absorvido e o passageiro poderá ter a certeza de que, se o vôo estiver marcado para 22h30, por exemplo, vai conseguir decolar sem passar pelo constrangimento de ter de voltar no meio do caminho."

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