Congonhas opera esvaziado, com 46 vôos e 132 cancelamentos

O aeroporto de Congonhas tinha apenas 46 vôos programados neste final de tarde da quarta-feira, com grande número de cancelamentos, poucas aeronaves na pista e poucos passageiros no saguão. O aeroporto, considerado o mais movimentado do país até o acidente com Airbus A320 da TAM na semana passada, havia 74 por cento dos vôos cancelados até as 19h. Das 178 partidas programadas, 132 foram canceladas e 11 tinham atrasos de mais de uma hora. Apesar da forte chuva da manhã, que fez com que os pousos só fossem autorizados a partir das 7h, Congonhas funcionava normalmente. Mesmo assim, 32 vôos que pousariam ali foram transferidos para o aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, e outros 12 para Viracopos, até as 17h. O esvaziamento de Congonhas começou após acidente com o vôo 3054 da TAM, com 187 pessoas a bordo, que tentou pousar na pista principal, mas chocou-se contra um prédio da TAM Express, deixando cerca de 200 mortos. Desde então, os pilotos têm preferido descer em outros aeroportos, especialmente em dias de chuva ou forte neblina. "Esse número grande de cancelamentos acontece por causa das companhias aéreas e também porque quando um vôo alterna seu pouso para outro aeroporto, gera um cancelamento aqui em Congonhas", explicou a assessoria da Infraero. A pior crise da aviação civil no país provocou nesta quarta a saída de Waldir Pires do Ministério da Defesa, cargo agora ocupado pelo ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Nelson Jobim. Para conter a confusão nos aeroportos, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) proibiu a venda de bilhetes com partidas de Congonhas, por tempo indeterminado, além de determinar que os vôos que passem pelo aeroporto tenham, no máximo, duas horas de duração. Apesar da medida, TAM e Ocean Air seguiam vendendo passagens com saída de Congonhas em seus sites e balcões no aeroporto. No saguão de Congonhas, nesta tarde, havia uma aparente tranquilidade, com poucas filas nos balcões de check-in, uma cena rara se comparada às confusões da última semana. Apesar disso, muitos passageiros pareciam perdidos com as informações desencontradas das companhias aéreas. O professor João Batista, 43 anos, teve um vôo de Congonhas para Porto Alegre transferido para Guarulhos, da companhia Varig. Marcado para as 15h20, o vôos passou para as 18h. "Andar de avião hoje está um transtorno do cão. Às vezes é preferível fazer outro roteiro de carro", disse Batista, ao lado da mulher e do filho de 3 anos. "Não se sabe se chega hoje ou amanhã, e com criança ainda é pior." Preocupada com os constantes cancelamentos, a aposentada Ieda Xersan, 73 anos, foi ao aeroporto para conferir seu vôo do dia seguinte. "O check-in foi feito, deu tudo certo, graças a Deus", disse ela, que quer voltar para Belém (PA). TETO DESABA EM VIRACOPOS Em Cumbica, às 17h, haviam 189 vôos programados, 64 atrasados com mais de uma hora e 12 cancelamentos. Em Viracopos, dos 16 programados, quatro foram cancelados. O aeroporto de Campinas sofreu nesta manhã o desabamento de parte do teto, na aérea do desembarque. Com a falta de escoamento da água da chuva, quatro placas de gesso caíram do teto. Ninguém ficou ferido, e a área foi isolada por tapumes. Perto dali, quatro baldes coletavam goteiras. No balanço geral dos principais aeroportos do país, divulgado às 15h30 pela Infraero, dos 1127 vôos programados, 253 foram cancelados (22,4 por cento) e 420 tinham atrasos com mais de uma hora (37,2 por cento). O aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, registrava 13 cancelamentos dos 107 vôos programados, além do atraso de mais de hora de 46 vôos. No aeroporto de Brasília, das 76 partidas programadas, 48 estavam atrasadas e 10 foram canceladas. A assessoria da Infraero em Congonhas afirmou que começou nesta tarde a marcação da pista principal para a execução do grooving, assim como as obras para corrigir a guia da cabeceira da pista, danificada no acidente e que acarretou no deslizamento de terra na segunda-feira. (Colaboraram Henrique Melhado Barbosa e Carmen Munari)

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