Congonhas perde 30% dos vôos

Depois de dez meses de crise, governo anuncia pacote de medidas que fará o aeroporto ficar quase que restrito aos vôos da ponte aérea e mudar toda a malha do País

Tânia Monteiro e Luciana Nunes Leal, O Estadao de S.Paulo

21 Julho 2007 | 00h00

Dez meses depois do início da crise aérea, o governo federal anunciou ontem um pacote para desafogar o Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, o mais movimentado do País. Dentro de 60 dias, ele deixará de ser o principal ponto de distribuição de vôos, conexões e escalas. A decisão foi divulgada depois de dois dias de reuniões com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da aprovação do pacote pelos representantes do Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac). Com isso, pelo menos 5,4 milhões de passageiros, que fazem conexões e escalas em Congonhas, 30% do total de movimentos, deixarão de circular pelo aeroporto mais movimentado do País, que recebe hoje em torno de 18,8 milhões de passageiros por ano. Em Congonhas só funcionarão vôos diretos, no estilo ponte aérea. O avião que tiver como destino Brasília, por exemplo, terá de seguir para a capital e, de lá, regressar para o mesmo aeroporto. O Conac decidiu que os vôos fretados e charters ficarão proibidos de operar em Congonhas e haverá um limite de pousos e decolagens para os jatos executivos. Esses dois segmentos de passageiros representam 10% do movimento de Congonhas e, ao serem retirados de lá, diminuirão ainda em 1,8 milhão o número de pessoas que passam pelo aeroporto. A idéia é que o terminal volte a operar dentro da capacidade, que é de 12 milhões de passageiros por ano - há muito superada pelo aumento no número de vôos. Nenhum representante das companhias aéreas estava presente à reunião. Caberá à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) se sentar à mesa com as companhias para negociar a redistribuição da malha aérea do País, que, atualmente, está concentrada em Congonhas, como ponto de redistribuição de vôos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em depoimento à Nação feito na noite de ontem, fez questão de frisar que a agência terá seus poderes reforçados."As empresas aéreas são concessionárias de serviço público e qualquer agente que desobedeça esta determinação estará praticando uma ilegalidade", ameaçou a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, explicando, no entanto, que não acredita que ninguém venha a descumprir as novas regras. PISTA PRINCIPAL Pelo menos até segunda-feira a pista principal do aeroporto paulistano, onde tentou pousar o Airbus A320 da TAM, que se acidentou, matando mais de 200 pessoas, continuará fechada, segundo informou a Infraero. A pista só será reaberta depois de concluída toda a perícia, realizada por diversos órgãos. Os peritos entendem que precisam preservar integralmente o cenário do acidente, para que toda a trajetória feita pelo Airbus seja recomposta, assim como os pontos onde o avião pousou ou atingiu o tubulão de lixo e a mureta. Outra decisão tomada ontem pelo Conac é que o movimento no aeroporto de Congonhas ficará limitado a 33 pousos e decolagens por hora. Este é o numero de operações por hora que está sendo realizada hoje, com apenas a pista auxiliar em funcionamento. Antes do início das obras de recuperação da pista principal de Congonhas, ali podiam ser feitos 48 movimentos por hora, sendo 38 da aviação comercial e dez de aviação geral. Com as obras, esse número foi reduzido para 33. Depois de reabertas as duas pistas, a Anac reduziu este número para 44 movimentos por hora, o que vigorou até o dia do acidente. A partir de agora, mesmo quando as duas pistas em funcionamento, só serão permitidos 33 movimentos por hora. "Estamos muito preocupados com o adensamento do aeroporto. A preocupação não é com a qualidade da pista, mas é que Congonhas está no meio da maior cidade da América Latina e esta cidade fica logo depois da pista", declarou a ministra. Ela assegurou, no entanto, que as medidas não foram tomadas porque o governo considerasse Congonhas sem segurança. "Mesmo sabendo que as operações são feitas sob regras seguras, resolvemos aumentar o grau de confiabilidade dele", acentuou Dilma Rousseff. Segundo ela, as medidas estão sendo tomadas para que se possa oferecer melhor atendimento ao passageiro. Dilma salientou ainda que algumas das medidas determinadas para Congonhas são de "emergência" e de aplicação em "curto prazo", sem detalhar quais se enquadrariam neste caso. Mas avisou que a mudança no perfil do aeroporto, de deixar de ser ponto de escala e conexão (hub), assumindo uma vocação regional, é definitiva. OUTRAS MEDIDAS A alteração na "vocação" dos terminais paulistas também será sentida em Viracopos. O aeroporto de Campinas deve passar a operar com mais passageiros. e para desafogar ainda mais o tráfego, já há estudos para a construção de um terceiro aeroporto, internacional, na Grande São Paulo.

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