Congonhas segue fechado para pouso; metade dos vôos é cancelada

Fechado pela segunda vez no dia para pousos, o Aeroporto de Congonhas tinha cerca de metade de seus vôos cancelada neste começo de tarde de terça-feira, devido à falta de visibilidade. Segundo o boletim das 13h da Infraero, dos 125 vôos programados em Congonhas, 61 foram cancelados e 14 estavam com atraso de mais de uma hora. Outros 15 foram transferidos para Cumbica, em Guarulhos. Na véspera, Congonhas sofreu um esvaziamento de vôos. Muitos pilotos e empresas aéreas preferiram transferir seus pousos para Guarulhos devido ao mau tempo, apesar do funcionamento normal de Congonhas, que só fechou por três breves períodos. Na noite de segunda-feira, a TAM anunciou o cancelamento de 68 vôos marcados para operar em Congonhas nesta terça e remanejou outras 22 rotas para o aeroporto de Cumbica, em Guarulhos. Estes já não constatavam no balanço das 13h da Infraero. Segundo a companhia, a decisão ocorreu "em virtude da previsão de chuva para esta terça-feira". O dia começou com mais filas de espera, atrasos e cancelamentos em Congonhas, que já amanheceu fechado para pousos devido à falta de visibilidade. O primeiro fechamento aconteceu das 6h às 8h50. O segundo começou às 11h05, e até as 13h24 continuava. A TAM informou no começo da tarde que a média de atrasos de seus vôos domésticos é de 75 minutos. Para as rotas internacionais, a média é de 49 minutos. Em Guarulhos, das 138 partidas programadas até 12h, não havia nenhum cancelamento, mas 35 vôos tinham atraso de mais de uma hora. No boletim geral da Infraero, até as 10h, dos 600 vôos programados pelos principais aeroportos do país, 28,5 tinham atrasos com mais de uma hora (171 vôos) e 15,1 por cento haviam sido cancelados (91 vôos). No Aeroporto Internacional de Brasília, das 19 partidas agendadas, havia 7 atrasos e nenhum cancelamento. PONTE AÉREA AFETADA O Rio de Janeiro também sofria com a situação de São Paulo. O professor universitário Lindomar Rocha aguardava a partida de seu vôo no aeroporto do Galeão e reclamava do prejuízo. "Não se pode marcar nenhum compromisso, e você também acaba perdendo o dia porque não dá para sair daqui", disse Rocha. "A questão é quem vai pagar por isso? A empresa provavelmente não é, o governo não é. Acho que todos aqui que estão a trabalho provavelmente vão ter que ficar com o prejuízo." A situação nos aeroportos do país voltou se deteriorar depois do acidente há uma semana com um Airbus A320 da TAM, que levava 187 pessoas a bordo e fazia o vôo 3054 de Porto Alegre a São Paulo. A aeronave não conseguiu realizar a manobra de pouso, fez um vôo rasante sobre uma avenida movimentada próxima a Congonhas e explodiu ao se chocar contra prédios, provocando a morte de cerca de 200 pessoas. A pista principal do aeroporto está fechada desde o acidente. O presidente da Infraero informou na segunda-feira que o grooving -- as ranhuras que ajudam no escoamento da água na pista -- seria feito a partir de quarta-feira. Já o superintendente regional do Sudeste da Infraero, Edgar Brandão, disse nesta terça-feira que haveria possibilidade de começar só na sexta-feira. Na noite de segunda, a chuva causou um deslizamento de terra na cabeceira da pista principal devido à falta da mureta de proteção, destruída no acidente com o Airbus da TAM. Segundo a Defesa Civil, a rua para onde a terra deslizou continua bloqueada. Análises estão sendo feitas para as devidas providências, disse a Infraero. (Colaboraram Henrique Melhado Barbosa em São Paulo e Reuters TV no Rio de Janeiro)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.