Congresso da UNE avalia moção contra candidato tucano

Reunião no Rio discute, entre outros pontos, proposta de repúdio a Serra, que presidiu a entidade nos anos 60

RIO, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2010 | 00h00

Dirigentes da União Nacional do Estudantes (UNE) afirmaram ontem, na abertura do 58º Conselho Nacional de Entidades Gerais (Coneg), no Rio, que os 500 delegados que participam do encontro podem aprovar uma moção "anti-Serra" durante a plenária final do evento, que termina do domingo.

Apesar de defenderem uma posição autônoma em relação à disputa presidencial, sem a formalização de apoio a nenhum dos candidatos, dirigentes e integrantes das entidades afirmam que o ex-governador de São Paulo José Serra e o PSDB são antagônicos às propostas e plataformas defendidas pelos estudantes.

Em 2006, a UNE lançou campanha similar durante a disputa do segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin. Como o tucano não assinou um documento em que formalizaria compromissos defendidos pelo movimento estudantil, a UNE lançou a campanha "Alckmin, não".

Presidente da UNE entre 1963 e 1964, José Serra pode virar alvo do movimento antes mesmo das propostas da entidade serem formalmente aprovadas. A entidade, que recebeu mais de R$ 10 milhões em convênios com o governo federal nos últimos cinco anos, não deve, no entanto, formalizar apoio à pré-candidata do PT, Dilma Rousseff.

"Acho que pode sair para o primeiro turno a campanha "Serra, não". Na verdade, não é na figura do Serra. Não é uma questão pessoal contra ele. É uma questão PSDB, não, neoliberalismo de volta, não", defendeu o segundo-vice-presidente da UNE, Bruno da Mata, filiado ao PSB.

"Isso não significa que vamos apoiar determinada candidatura. Mas estamos dizendo o que não queremos: a volta do neoliberalismo para o governo", argumentou o vice-presidente geral da entidade, Tiago Ventura, filiado ao PT. "A volta do neoliberalismo é representada pela candidatura do Serra", concluiu.

O posicionamento desses dirigentes contradiz a posição de independência defendida pelo presidente da UNE, Augusto Chagas, em entrevista ao Estado publicada ontem. De acordo com ele, o Coneg deve servir para "identificar os temas que precisam ser debatidos na eleição e preparar um programa". / ALFREDO JUNQUEIRA

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