Acervo pessoal
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Conheça a agente da Defesa Civil que evitou tragédia em Ouro Preto

Após ser alertada por motorista de ônibus, Paloma do Carmo Magalhães, de 34 anos, isolou área onde, minutos depois, desmoronamento destruiu casarões históricos em Minas Gerais

Patrícia Rennó, especial para o Estadão

14 de janeiro de 2022 | 18h20

POUSO ALEGRE - A agente da Defesa Civil Paloma do Carmo Magalhães, 34 anos, teve um papel fundamental para que o desmoronamento que destruiu imóveis históricos no Morro da Forca, em Ouro Preto (MG), não se transformasse em uma tragédia na quinta-feira, 13. A ação rápida impediu que a terra e rochas desmoronassem em cima de carros, ônibus e moradores que passam diariamente na via atingida.

Formada em engenharia de minas, a profissional está na Defesa Civil de Ouro Preto há três anos e foi a primeira pessoa a identificar os sinais técnicos de que poderia ocorrer um desmoronamento. Sozinha, ela fez o isolamento inicial, desviando cerca de 50 veículos que passavam na via no momento.“A sensação é de gratidão e agradecimento a Deus por eu ter tido a proatividade de chegar lá e orientar a população” ressalta Paloma.

A agente mora em Mariana (MG), a 12 km de Ouro Preto. Ela diz que estava indo para o trabalho na viatura da Defesa Civil, na manhã de quinta-feira, quando foi abordada por um motorista de ônibus, que lhe disse que havia ocorrido um pequeno deslizamento no morro. Ao chegar no local, Paloma constatou o perigo.

“Fiz uma análise visual da encosta e tinha uma fissura em formato de cunha e indícios de ruptura iminente. Imediatamente, isolei o local e em seguida meus colegas ajudaram a evacuar toda a área. Isolamos outros pontos e retiramos as pessoas que estavam em um hotel e comércios”, conta.

O incidente ocorreu poucos minutos após o fechamento da área, destruindo um casarão século 19 – o Solar Baeta Neves - e um galpão, no centro histórico da cidade. Não houve feridos.

“Primeiro foi a mão de Deus, que colocou o motorista na minha frente, e foi esse anjo da guarda que me levou lá, e eu fui um instrumento que ajudou a salvar vidas, que é o nosso trabalho. Deitar no travesseiro e saber que pude ajudar é muito gratificante, não tem dinheiro algum que pague isso. Sou feliz em trabalhar aqui”, completou Paloma.

Outro salvamento

Além do caso do desmoronamento, Paloma conta que passou por uma situação parecida no último dia 7 de janeiro, quando impediu que uma família fosse soterrada após um outro deslizamento de terra, no bairro Santa Cruz, em Ouro Preto.

“Cheguei na Defesa Civil e fui direcionada para uma casa no bairro Santa Cruz. No local, constatei que havia problemas e solicitei que as pessoas deixassem a casa. Eles foram muito resistentes em sair do imóvel, mas saíram e, em torno de 20 minutos depois, a casa desabou”, contou.

Segundo a Defesa Civil, nos últimos quatro dias foram registradas em Ouro Preto mais de 400 ocorrências. Devido às chuvas recorrentes e aos riscos nas encostas do município, entre os dias 8 a 14 de janeiro cerca de 252 pessoas foram removidas de seus imóveis e direcionadas para casa de parentes, amigos ou locais de abrigo direcionados pela Defesa Social.

De acordo com a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros, a área do desabamento ocorrido na região central ainda oferece riscos e permanecerá isolada. 

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